sábado, 27 de dezembro de 2014

Quero saltar da lua e cair no chão

A tristeza encontrou-me! Eu fugi daquela felicidade que me enchia o coração e me iludia a cada dia, sim eu fugi e depois neguei-lhe na cara. Recusei todo o tratamento que me podia fazer sentir especial, mas mesmo assim tocou-me o coração. Tudo é efémero e esta tristeza que me agarrou nos ombros e me olhou nos olhos, um dia vai desaparecer. Aquele ditado "quanto mais alto subires maior é a queda" faz-me não querer subir muitos degraus. Há quedas que nos desmembram e eu não quero desmoronar mais uma vez. Um pouco de mim se vai e a cada perda torno-me menos humana e mais uma representação de mim própria que a pouco e pouco vai-se desgastando e perdendo o sentido até se tornar num objeto. Cada encontro é uma despedida, porque tudo acaba e pouco fica. Nada sei sobre o que quero, mas sempre certa daquilo o que não quero. Combato a rotina e descalço as meias para sentir o gélido chão que me sustenta e, como um gato escaldado que tem medo de água fria, acanho-me e tendo a não experimentar com medo de mais um trambolhão. Todos já caímos do último andar de um arranha céus, mais cedo ou mais tarde ficamos em coma e renascemos. Decorei o significado de cada cicatriz para não voltar a cometer os mesmos erros, mas desafiei os meus medos e continuei a acreditar, erro este que eu nunca aprendo e sempre cometo. Apercebi-me que tenho mais receio de ficar presa a tudo o que conheço do que sair acreditar e cair no chão, mas conhecer, aprender, descobrir... enfim, viver! 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Sentido precário...discurso incompleto

Convido a desviar o olhar destas meras palavras ocas para muitos, mas que a mim entornam o pote de tão cheias. Este pote que é o tempo, e tudo o que ele carrega, faz-me partilhar sem hesitar, pois somos clones uns dos outros, ou melhor, temos algumas fracções em comum que capturam momentos que não são inédito, o que me leva a revelar-vos que ninguém é especial. Ninguém tem uma história só sua e muitos vão conferir que as relações que estabelecem com os outros começam por , maioritariamente, ter algo em comum e com o grau de proximidade de histórias de vida "Eu identifico-me com a tua história, já vivi algo assim, sei exatamente como te sentes" querido leitor, nunca disseste nada do género? Bem eu já, e desde então tenho vindo a vincular laços daquilo a que chamo amizade. A vida escreve uma história que vai, repetidamente, se estreando com personagens diferentes. Com melhores e piores interpretações, com direito ao improviso que decide os finais felizes e os tristes, mas sempre com o "full house" que cada estreia merece. O nosso público está em todo o lado e confesso que mesmo quando estou só imagino o público presente algures, sinto-me observada e nunca deixo de representar o meu papel. Não gosto de estar no "spot line" eu paraliso e é como tenho estado, paralisada, sufocada, angustiada. Aquele momento em que boa gente deposita grandes esperanças em ti, mas tu te apercebes que afinal não és assim tão bom como pensavas e duvidas de ti mesmo, aliás, nem tens a certeza se é este o caminho que queres seguir?! Sim paralisas! É fácil ceder, mas difícil começar do zero e construir novas bases... Momento reflexivo que me faz puxar um baralho de cartas e expor o meu jogo na mesa, vou ganhar ou perder?

domingo, 16 de novembro de 2014

Feelings off

There are things we don't say
There are messages we  don't send
There are calls we don't make
Feelings we can't share
May I turn off my feelings?
I want it but they don't let me...
Sometimes I wish to be like a stone
Feel nothing at all
I try it i really did
Then I discover that stones sometimes break...
Yes, I break in pieces but I don't tell I don't show
You will never watch.

It's impossible not to feel
recycled memories
I don't allow them!!
But everything you told me remains...
I want to kill my brain.

Oh nice people...why are you so nice?!
I say no! STOP!
People come and go all the time
We want to forget
We never will, so sad.

Nobody wants the pain
But everybady lose something
Get real and don´t regret
All moments you had
Make you a Winner

You don't need to see someone all the time
you don't have to speak
You don't have to touch
You feel
You Know
I know
They don´t.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Estranhas ligações

Vamos começar o dia de novo. O presente é o que conta. Estamos tão habituados a viver o hoje ligados ao que aconteceu ontem e a pensar em como será o amanhã. Eu digo não!! Fecho a minha vontade de querer voltar a ter o que tive e a sentir o que senti num ontem gradualmente crescente, isso acabou. Vou dar uma nova oportunidade ao hoje, até posso acordar à mesma hora, ir comer a mesma marca de cereais na minha habitual taça, mas vou olhar para o lado e não vou sentir a tua falta, não vou sequer pensar em ti. Não vou olhar para o lado, vou pegar no comando da TV e mudar de canal, vou rir e não vou cair na tentação de ir ao bolso e tirar o meu telemóvel para chamar por ti.
Vou apagar as tuas fotos e as tuas mensagens para não adormecer a olhar para elas de novo. Vou tirar novas fotos e escrever novas histórias. Vou cantar mesmo que desafine, vou chorar sempre que precise, vou sentir o vento bater na minha cara e alargar a minha rede de conversa. Deixaste de ser o centro, deixaste de estar no meu presente.
As lacunas da nossa vida podem ser preenchidas de várias formas, vou numa busca de formas concretas, porque o incerto não tem destino fixo, o incerto é andar à deriva e eu quero chegar à margem e explorar. Vou criar uma receita e criar a dose certa que se adapta às minhas necessidades diárias. Ora bem, vou começar por um perfume, sentir um odor diferente todos os dias, hoje vou descobrir qual o cheiro do vento, amanhã vou descobrir qual o cheiro da lua, em seguida qual o cheiro da terra... Vou querer abraçar, sorrir desinteressadamente, dar um ou dois passos de dança e uma conversa aleatória com alguém ao calhas. Sim, coisas simples e bem dosadas tornam tudo mais interessante. A gente esquece o ontem distante, mas no final não se desprende. Há certas brincadeiras que nós aceitamos jogar e depois temos a tendência de colocar as culpas do resultado sobre a outra pessoa. Nunca admitimos que estamos tristes, talvez por saber que a dor é passageira e lembrar que nós somos os comandantes! 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Liberté, Egalité, Fraternité



Il est un grand défi d'écrire dans une autre langue. Comment puis-je être fidèle à ma pensée dans la traduction? En amour avec chaque mot que je rends à la traduction injuste ne fera pas justice à mon texte. Apprenez les rudiments d'une langue est facile, mais pour le comprendre et sentir nécessite un voyage à la rencontre de ceux discours. Même si je reconnais qu'il ya des mots qui ont pas de traduction appartenance à un peuple et reflètent leur mode de vie, les façons de penser, manières de parler. Il ya des expressions typiques de chaque nation et même la traduction la plus fidèle ne transmettront pas le vrai message. Né comme des éponges et sont le produit de ce que sucer. Les valeurs sont si importants et nous accompagnent dans tous nos choix de tous nos décisions. Revenir arrivées et les départs où non seulement un court voyage pour voir un langage, ou plutôt de se rapprocher de la vérité chaque langue un détachement de sa propre langue est nécessaire et avoir la fraîcheur d'oublier tout ce que vous savez à recommencer. Le divorce de son pays et épouser une autre. Cet engagement est pas facile à réaliser, ni fait appel à un grand nombre. Voyage à la recherche de la culture, voyage à tester leurs limites, voyage à oublier et début nouveau. Prêt à être une éponge et absorber sans question, sans jugements de valeur. Combien de langues et que vous souhaitez savoir combien de personnes l'intention de vivre, établissements d'enseignement supérieur de la question. La réponse est utopique, je sais que le monde parlant toutes les langues. Je dois à ma langue de faveur qui nous unit tous comme il communique non seulement par la langue, mais aussi les expressions du visage, le regard, le toucher, le sourire, les larmes, les images, la musique ...
Après tant de voyages imaginaires après tant de rêves, manquent les atteindre. Le monde est laissé au repos par leurs valeurs, par sa langue, ses habitants, tout en bas, il ya le désir de s'envoler. Cela fait partie de l'être humain est ambitieux et veut plus, toujours plus. Je veux plus, plus peut, je reçois plus. Heureux sont ceux qui ont la liberté de choisir de commencer à croître de nouveau à égalité avec les autres et la fraternité de trouver un ami comme un frère pour chaque endroit où ils vont, dans tous les pays du monde.
Ne pas avoir peur de prendre des risques, vous ne serez jamais seul, vous aurez toujours le même lune, les mêmes étoiles le même soleil dans différentes ares.





(Texto original em Português) 


É um grande desafio escrever em outra língua. Como posso ser fiel ao meu pensamento numa tradução? Apaixonada por cada palavra rendo-me à injusta tradução que não fará jus ao meu texto. Aprender as bases de uma língua é fácil, mas compreendê-la e senti-la exige uma viagem ao encontro de quem a fala. Embora eu reconheça que há palavras que não tem tradução que pertencem a um povo e refletem os seus modos de vida, modos de pensamento, modos de fala. Há expressões típicas de cada povo e mesmo com a mais fiel tradução não fará transmitir a real mensagem. Nascemos como esponjas e somos o produto daquilo o que sugamos. Os valores são tão importantes e acompanham-nos em todas as nossas escolhas, em todas as nossas decisões. Voltemos às chegadas e partidas em que não basta uma viagem de curta duração, para perceber uma língua, ou melhor, para se aproximar da verdade de cada língua é necessário um desprendimento da sua própria língua e ter a frieza de esquecer tudo o que sabe para começar de novo. É divorciar-se do seu país e casar-se com outro. Este compromisso não é fácil de cumprir, nem é apelativo a muitos. Viagem na busca do conhecimento cultural, viagem para testar os seus limites, viagem para esquecer e começar de novo. Prontos para ser esponjas e absorver sem discutir, sem juízes de valores.Quantas línguas quero conhecer e com quantos povos tenciono viver, heis a questão. A resposta é utópica, quero conhecer o mundo falar todas as línguas. Tenho a meu favor a linguagem que nos une a todos pois não só através da língua se comunica, mas também pelas expressões faciais, pelo olhar, pelo toque, pelo sorriso, pelo choro, pelas imagens, pelas músicas...
Depois de tantas viagens imaginárias, depois de tantos sonhos, falta concretizá-los. O mundo deixa-se ficar pelos seus valores, pela sua língua, pelo seu povo, embora no fundo haja o desejo de voar para longe. Faz parte do ser humano ser-se ambicioso e querer mais, sempre mais. Eu quero mais, posso mais, eu consigo mais. Felizes aqueles que tem a liberdade de escolher começar de novo para crescer em igualdade com os outros e a fraternidade de encontrar um amigo como um irmão por cada lugar que passe, em qualquer povo do mundo.
Não tenhas medo de arriscar, nunca vais estar só, terás sempre a mesma lua, as mesmas estrelas o mesmo sol em ares diferentes. 



(Peço perdão a qualquer erro na língua francesa este foi apenas um desafio cheio de falhas. Mas acredito que é em tentar que está o brilho.) 


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

What are we doing?






Chegou a altura de calar todos os pensamentos todas as vozes e parar a cassete da vida por um pouco. Deixar de assistir, de deixar acontecer e intervir. Começar a dar importância, abrir os olhos e não tolerar que decidem por nós. O mundo está fora de rota, caminhando para um abismo negro, para uma confusão sem fim que nos deixa a todos sem esperança e desleixados. Que a batida da nossa musica se faça ouvir e que abafe este som repetitivo mais do que consumido. Deitar fora esta pastilha mais do que mastigada que já nem tem sabor. Fazer o que ninguém está à espera e criar novas regras. Afinal as estruturas são tão flexíveis que nem será preciso muito para que a massa adopte novas regras, mas desta vez regras de liberdade. Basta de nos vendarem os olhos com todas as políticas, com todas as teorias. Basta de consumir tudo o que vemos na tv ou que lemos no jornal, está na altura de criarmos o nosso próprio canal e escrever o nosso próprio jornal. Porque não? Está na altura de subir, não há mais por onde escavar. Está na altura de usar a imaginação está na altura de recusar todas as teorias e partir para a prática, ter experiência, conhecer todos os limites e não se deixar levar pelas conversas de experiências dos outros. Tu não és os outros, tu és tu, não és uma representação muito menos uma imitação. Essa indústria já excedeu a produção. Não sejas aquilo o que tens vindo a consumir, não queiras ser apenas um produto à espera de ser escolhido, à espera de ter utilidade. Cria a tua própria "horta" mental. Refuta o que é supostamente normal e o que é a normalidade senão quando levada pelas massas?! Sim vamos formar a nossa normalidade, vamos atropelar alguns não porque já fomos atropelados também, mas porque vão tentar nos impedir. Argumenta, grita, luta. Salta para fora das convenções, está na altura de agir. Fomos filósofos, fomos pensadores durante tempo demais, agora basta! Deixa os excessos, deixa tudo aquilo para o que lutaste por vontade de outrem e encontra-te. Afinal o que esperas da vida? que seja fácil? O universo está constantemente a atacar-te e vais acomodar-te? Já não resta pano branco para apresentares a bandeira branca, solta uma pomba branca e verás como ela voa para longe com medo de ser abatida. Estamos alienados, tão cegos que não vemos que a nossa liberdade está sendo roubada e a história vai- se repetir! O universo gostava de ter tudo aquilo o que tu tens: Vida! Não deixes que ele escolha por ti, impõe-te está na altura de deixares de ser uma marioneta e te tornares num "menino de verdade". A "Campanha Fria" já começou e de que lado estás?

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Adeus Férias









Tudo o que é bom,acaba num abrir e fechar de olhos, quem me dera poder ter um pouco mais de lazer, descanso, harmonia, sossego, sem horários nem obrigações. Sentirei falta das madrugadas ensonadas, mas despertas, do acordar ao cheiro do almoço, com a praia que chama, do passear sobre o mundo numa conversa entre amigos. Vai deixar saudades as praias cheias de gente, o barulho nas explanadas, nos passeios, as festas que fizeram voar poeira de tanto saltar e até as cores vibrantes, do cheiro do bronzeador e do protector solar também. Não me arrependo do peso a mais, ganho em cada comida rápida nas festas, em cada gelado, em cada grelhado de enchidos. Ainda não me despeço das sandálias nem das saias, muito menos dos vestidos, irei usa-los até que o tempo deixe e depois disso "até para o ano meus amores", não gosto de me despedir da praia, estou sempre na esperança que haja mais um dia azul que aqueça o chão e que o parque da praia se encha de carros, hora para mais um banho e que mais uma vez o sol me toque sem arrepiar. Foram três meses de brilho, três meses de projetos, três meses para ter tempo de sonhar e experimentar. A melhor estação do ano está a chegar ao fim e vai deixar saudades, mas é isso o que a torna tão especial, tão apetecida e desejada. Passou num abrir e fechar de olhos, nem deu para esquecer o trabalho que tive nem o trabalho que me espera, mas como "quem corre por gosto não cansa" não lamentarei o que me aguarda, mas sim aplicarei e me esforçarei por merecer mais uma, tão acolhedora, estação de verão. 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Igualdade Feminina



Um copo mais cheio do que o outro não apresenta igualdade. Admito dois copos do mesmo tamanho, em que um esteja mais cheio do que o outro, como iguais. Seres com capacidades diferentes, com utilidades diferentes, com anatomia diferente, com gostos e desejos diferentes. São duas peças fundamentais, que sem uma delas, a máquina pára, deixa de funcionar. Nascemos da mesma forma e findamos sem escapatória. Mas o que realmente me interessa é o que fica a meio, entre o começo e o fim. Entre homens e mulheres, querer ter o que o outro tem é guerra e ficar com aquilo o que o outro tem é morte. O estabelecimento da igualdade não exige disputa, exige respeito, humildade e reconhecimento. Se ambos fazem a máquina funcionar, porquê fazê-lo acorrentados quando podem dar ao mãos? Porquê a tendência de soltar a mão para poder ter menos peso e subir no balão com mais rapidez, quando ambos podiam construir um avião e voar ainda mais alto? Para desgosto de alguns, o mundo não é dos homens nem das mulheres. A sociedade não pertence a homens nem a mulheres. O mundo é governado pela Natureza e pela Humanidade e sobreposta a esta realidade existe a sociedade, que se multiplica em diversas, e pertence aos Costumes e Valores. É na sociedade, é nos valores, na ambição, no materialismo, que se encontra o fungo. Aquele gostinho que outrora tivemos do poder absoluto fez ninhos algures e o muito que sabemos é pouco do que realmente acontece. E não tão longe, podemos encontrar aquele que não consegue controlar uma nação, mas que exerce o seu poder sobre uma mulher. Covarde o homem que se acha superior a uma mulher. Apesar dos infindáveis obstáculos, nós mulheres, conseguimos ultrapassar as barreiras e conquistamos aquilo que já nos pertencia. 
Vivo num meio em que o único obstáculo que existe é a minha própria mente que decide viver consoante os meus valores ou viver correspondendo aos valores da sociedade que tanto julga. Tenho o privilégio de poder escolher e as consequências pouco me arranham. Mas também tenho noção de quem não tem escolha, uma vergonha para a humanidade, que joga, usa e abusa da vida das mulheres, retirando-lhes o último fôlego sem hesitar. Usos e costumes entranhados, que durarão até ao fim do mundo. A igualdade feminina é uma ilusão, o sonho é torná-la realidade. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Rotina! Sim ou não?




Quando vemos um filme mais do que uma vez o seu factor surpresa, o botão da curiosidade e aquele arrepio na nuca que nos molha os olhos deixam de existir. As gargalhadas ficam mudas depois de ouvir as mesmas piadas, o suspense com um arregalar de olhos num filme de terror dá lugar a risos e há busca de erros, que tornam ridículo o factor inicial do susto e do medo. A atenção é interrompida com distrações superfulas e, em casos extremos mas frequentes, funciona como uma canção de embalar para adormecer. Adormecemos em posições desconfortáveis e acordamos cheios de dores. Ah, filmes que se repetem sem conta, oh dias que já não passam de clones. Vidas como impressoras que imprimem 365 cópias da mesma folha e onde se perdem as originais. Cores gastas passando a preto e branco, perdeu-se o brilho vivem-se as horas e após as vinte e quatro imprime-se mais uma cópia da mesma folha, cada vez mais gasta que parece cansada, quase já nem se vê. Muda os tinteiros, dá cor às tuas folhas, salta por cima dos obstáculos e pinta por cima, pinta com as tuas mãos e não deixes que uma máquina te controle. Cria novos desenhos, explode com cores, evita as repetições, deixa de dormir, deixa de estar cansado e vive! Pinta a própria impressora, usa cores vivas, cores que te alegrem, cores, cores, cores, muitas cores misturadas. Grava o teu próprio filme, captura as tuas próprias imagens, deixa de ser dependente da mecanização, deixa de ser escravo da indústria. Rotina como, se há tanto para experimentar? Não deixes que a rotina te conduza, saí do assento, saí desse transporte que só conhece um percurso. Caminha e explora, pois novos caminhos, novas vistas, novas cores, cheiros e sabores estão por ai, só tens de te levantar. 

terça-feira, 8 de julho de 2014

"Solitatis"



Começo por dizer-vos que solitatis é saudade em latim, é um de muitos outros sinónimos que tenta definir um estado emotivo que funde o sentimento de perda, espera, solidão, melancolia, nostalgia e esperança.  O corpo é uma jaula que aprisiona os sentimentos, mas estes sempre arranjam forma de um dia escapar e fazerem-se ouvir. Sentir saudade de quem se foi, na esperança de recuperar aqueles momentos, faz crescer uma vontade de explorar outras escolhas e onde estaríamos de fossem diferentes. Existe dentro mim alguém que tem coragem de fazer tudo aquilo o que o meu ser não consegue. Tu és aquele que sonhas, mas dentro de ti tens quem os concretizes. A chave está escondida algures e a sua descoberta vem sempre acompanhada por momentos que despertam a sua busca e implica uma viagem pelo mistério desconhecido, o inconsciente, e assim que é encontrada abre-se o cadeado que aprisiona aquele que te faz sentir a vida e realizá-la. Mas a saudade não é apenas um sentimento de vazio presente, saudade é a prova de que já foste feliz! O inconsciente guarda todas as nossas memórias que conduzem as nossas atitudes, sendo impossível guardar-las a todas e ter simultâneamente consciência delas. É neste armazém que muitos artistas se formam e onde muitos se perdem seguindo caminhos neuróticos. A saudade desperta através do amor, saudade acende por aquilo e por quem amámos, saudade nunca acaba, saudade bate no peito para poder sair, derruba as grades e encontra a saída pelos olhos que nada escondem, é fechar os olhos e ver. Saudade é ter consciência de que se teve tudo. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Quebra fronteiras morais, culturais, continentais... Futebol





O Futebol conquistou o lugar de um dos maiores espectáculos desportivos do mundo. É um desporto que enche as bancadas do campo, onde há a partilha e a vontade de vencer, onde a união exerce um poder de apoio moral dos adeptos à sua equipa, em que cada grito de força cada assobio é responsável por mais uma corrida até à bola, por mais uma finta, por mais uma tentativa e por um resultado melhor. Os jogadores como guerreiros correm, defendem o seu território, intimidam, chocam, caem, invadem e conquistam sempre que fazem rolar a bola para dentro da baliza, pois nela estão representados todos os adeptos que por eles apelam, gritam e torcem. Desporto básico, mas que a poucos é indiferente e a grosso modo implica um bom trabalho de equipa, correr e marcar o máximo de golos possíveis num período de 90 minutos. Apesar da sua enorme transformação, desde chutar crânios de inimigos para celebrar a vitória, ainda se assiste a momentos de violência no futebol, o que nos nossos dias é inadmissível. Os grandes ídolos dos infantes e da juventude, que começa a tomar gosto pelo nobre desporto, ultrapassa a barreira entre a emoção e o objetivo e com atos violentos compromete toda a sua equipa e toda uma geração. O gosto amargo de um cartão vermelho é o que distingue futebol jogado com bolas e do jogado com crânios. História, culturas, etnias e línguas, todas as suas diferenças desaparecem em campo. Que diria Hitler ao ver Jerôme como um dos heróis da seleção Alemâ?! Existe apenas uma linguagem dentro do campo, as regras do jogo, perceptível a todos, igual para todos. Ponho-me a pensar em como seria o mundo se todas as guerras tivessem sido jogos de futebol, sem mortes, sem perdas, sem destruição. Por mais cruel que pareça, cheguei à conclusão que, tal como o cartão vermelho é essencial num jogo de futebol para restabelecer ordem, o  mesmo se aplica ao mundo relativamente às guerras. Todas as revoluções, toda a paixão, toda a esperança, toda a tela repleta de sentimento, todos os heróis da história e toda a nossa cultura desaparecia. Perderíamos toda a herança cultural do mundo. Foi através da dor que houve a força e a evolução e o futebol é uma recriação de um campo de batalha, onde reconhecemos a história e vemos onde ela nos levou. 

terça-feira, 3 de junho de 2014

Desperta

 


Quem vive despertando ao som de pássaros fica com os ouvidos anestesiados e deixa de os ouvir, é como quem vive de verdades desperta na cegueira e acredita em lendas, mitos e contos. É nas ruas da vida que se assiste e comete, é por onde tudo passa, porque tudo o que passa é passado. A noite chega e nem bate à porta, invade onde quer que eu esteja para me trazer a lua que vem cheia de saudades me contar e me confessar tantas verdades que ninguém tem coragem para dizer. Ela nem fala, mas diz-me tanto com suas diferentes faces e com a sua luz plena, embora distante, está sempre presente. Ilumina-me com suas estrelas sem me encandear com excessos. O céu é testemunha do meu dia e não há tecto que o esconda, não há tecto que me oculte e não há olhos que me julguem melhor que os meus, que  são os únicos que verdadeiramente me conhecem. Quem chega repleto de nada para oferecer é um corpo vazio de tanta ilusão, meu corpo não me pertence e da minha alma percebo um pouco que é nada, mas sei que é eterna. Quem sofre reconhece uma lágrima guardada num lenço, quem sente nunca deixa de sentir mesmo quando o nada ataca, mesmo quando o silêncio prevalece, mesmo quando 15 minutos são 60 minutos quando tudo está na mesma, nada mudou, e a espera continua. Quando vale a pena, 15 minutos até podem durar 72 horas que não viro as costas, não bato com a porta, não me afasto respiro e espero. Quem sente sabe, quem sente é feliz, mesmo quando está triste, porque a tristeza passa e quando passa é passado. Quem vive despertando ao som do nada fica dependente de um alarme e não deixa de o ouvir, mas por vezes ele deixa de tocar e vencem as desculpas que se reproduzem e se tornam em histórias, mitos e contos que alguém, que desperta com pássaros, mas não os ouve, vai acreditar. Sempre acordei com o chilrear de pássaros, até que um dia me mudei para longe dos olhos de quem me viu crescer, andei por chão escorregadio e descobri ruas na minha existência e explorei, pisei o chão virgem, me aventurei cresci e aprendi. Tudo que antes era nada passou a fazer falta, e heis que minhas bases foram vinculadas, minhas incertezas aceites e das poucas certezas veio aquela que realmente importa, amor incondicional, foi o que encontrei nos olhos de quem me ama assim que voltei a despertar ao som de pássaros. O ser humano é insatisfeito por natureza e nunca é demais querer e tentar ser uma melhor versão, sair, explorar, arriscar. Sempre que perdidos seremos achados nas nossas origens. As minhas não são os meus amigos de infância nem as minhas histórias na alturas de escola, não são lugares nem casas ou monumentos, a minhas origens são a minha verdadeira fonte de felicidade são a minha família. Com eles sou vazia de ilusões e cheia de certezas para dar. E tu? Quais são as tuas origens? 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Como é que ele é?





Como te descrevo? És simpático, divertido, brincalhão, atrevido, sonhador, alegre, chato, antipático, anti-social, mentiroso, etc. Possíveis descrições de alguém, ou melhor, descrições gerais de qualquer pessoa. Injustas descrições, estas e muitas outras, que satisfazem alguma curiosidade e dão um ponto final ao trilho iniciado com a questão do saber, do querer conhecer. Há falta de curiosos e de espírito crítico!! É impossível descrever alguém pelo seu ser, simplesmente compartilhamos estados e situações que conduzem a simples adjetivos que servem como tentativa falhada para nos descrever. Cheguei à conclusão de que sou insana, pois vejo o meu reflexo em todas as descrições possíveis e impossíveis através dos meus estados, através da minha disposição, através do mundo que me impulsiona para o seu lado que arde, descontroladamente, e me reduz em chamas na realidade. Evoluímos de dia para dia e sabemos mais hoje do que ontem e amanhã seremos um prodígio. Viva às experiências, às quedas, às mentiras que nos conduziram à verdade e nos colocaram no topo onde vemos na totalidade e não apenas uma parte. Atrevo-te a descreveres-te, faz uma retrospecção não a deixes solta na tua mente, mantêm-na viva no papel, escreve sobre ti próprio se és capaz, mas podes deixar de fora todos os floreados, sente-te em cada palavra em cada adjetivo e verás que não há ninguém melhor que ninguém. Aquela sms que mandaste à tua amiga a dizer que não podias ir, mas que afinal não foste porque não te apeteceu, é uma mentira. Aquela piada inesperada que soltaste e gerou várias gargalhadas, foste tu divertido. Aquela discussão que tiveste com o teu melhor amigo em que foste para casa e não quiseste ver ninguém e te isolaste, de certo que foste chato e anti-social. E na janela do chat da pessoa que tu gostas deixas uma música que denuncia o teu interesse e expressam palavras que pessoalmente nunca te atreverias a pronunciar. Momentos, estes e muitos mais, compõem-nos como uma melodia sem fim onde passamos do baixo à guitarra, do saxofone ao piano e da bateria à voz. Certos de tão pouco sacrificamos e perdemos, caminhamos para onde a incerteza cresce e multiplica os estados que interferem no raciocínio e influenciam o comportamento. Sintomas sincronizados e a conclusão é uma só: somos insanos, mas muitos não tem consciência disso.  

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Censurado

A dicotomia entre o moral e o imoral correto e incorreto não passam de uma ilusão, uma forma de controle de comportamentos que reprime a liberdade de pensamento a imaginação e a criatividade. Uma sociedade para funcionar necessita de regras e para tal, cada indivíduo deverá cumpri-las para uma necessidade de bem comum. Mas o individuo ,o SER Humano, na sua forma mais pura de ser, é completamente formado por sensações, sentimentos, desejos. Somos estímulos ambulantes camuflados no meio da sociedade. É imprescindível o bem individual para haver um melhor desempenho no bem comum. Todos queremos ser como Apolo, aquele ser perfeito, responsável e consciente dos seus atos. No entanto, é impossível calar o Dionísio que grita pela sua liberdade. É urgente despirmos qualquer preocupação moral e voltar às origens, voltar a encarnar o papel de Adão e Eva, mas não aceitar nem comer a maçã que nos conduziu a todos a esta prisão ética. Envoltos na pureza e livres para provar o sabor da entrega sem nenhum pingo de preconceito. Sim, um paraíso onde a melhor roupa é a tua pele onde existe apenas um nível, um estado, um chão. Amar livremente, amar simplesmente sem compromisso ou obrigação moral, e em toda esta liberdade a mentira e a traição não fariam sentido muito menos existiriam, porque o que é a traição o que é a mentira, num mundo puro? O sexo é uma necessidade para todo e qualquer criatura, inclusive o ser humano. É um prazer tão necessário como comer quando se tem fome. Aprendemos, desde crianças, a saciar o prazer e a necessidade, a partir da satisfação na amamentação para ingerir alimento e mais tarde deixamos de precisar de fraldas, pois aprendemos a controlar as fezes. Mas a moral marginalizou de tal forma o sexo que lhe retirou a dignidade e o fechou em tabus. Afinal o que é o sexo senão uma partilha intensa e profunda de amor? E o que é o amor senão a felicidade? E o que é um orgasmo senão o limite? A ética é frígida e é imoral julgar sem conhecer. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Cancro, a doença do século XXI



Esta enfermidade que se divide e propaga por todas as partes do corpo, sem conhecer limites nem regras, acompanha a genealogia da humanidade. Apesar da sua identificação parecer muito recente, o facto é que tem vindo a acentuar-se no seio de nossas famílias desde o início da industrialização. Firmes, erectos e despertos marchamos para a glória, para a batalha de cada dia, para a gloriosa vitória que nossos pés ditam e nossas acções prescrevem . Entre trincheiras lutamos, ultrapassamos fronteiras e conquistamos. Temos terras, temos ruas, temos bens, teremos tudo? A morte a todos espera, mas que morte ingrata esta que não alerta, deixa-nos sem voz, arranca nossa liberdade, acorrenta e debocha. Qualquer fragmento de veneração é substituída pelo sentimento de pena, pela condenação mais que certa. Perdeu-se a esperança, perdeu-se o brilho das estrelas, mede-se o tempo pela ampulheta, que começou a contar. Cada grão de areia, cada segundo precioso cada suspiro contado. Visitas constantes ou não, vontades que não faltaram, palavras não pronunciadas, lágrimas escondidas, um sorriso arrancado das profundezas do ser, de braços abertos e de mãos dadas a quem era e deixou de ser. Ingrata não a morte, mas a doença esta que não tem cura, que destrói um pedaço a cada dia. Deixou de ter gosto, deixou de escolher, ganhou apetite compulsivo, ninguém está imune, ninguém está a salvo. Retira-te a dignidade, pouco há a fazer, nada há a fazer. Quando o muito é nada, todo o pouco basta e um pouco nunca é nada. Doença ingrata que deixa qualquer um estéril. Deixemos a doença caminhemos à vida, todo aquele que era deixou cá um ser, plantou algum saber, partilhou histórias e será desta forma que daremos continuação à sua luta, e por ele conquistaremos, por ele criaremos, por ele seremos. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

STOP





Pára!!! Cala os teus pensamentos, deixa de ouvir, fecha os olhos e grita a ninguém o que vês! Difícil descrever o silêncio o vácuo a escuridão e o quão desconfortável é estar inserido nele e como ficam sensíveis os nossos sentidos expectando o obscuro desconhecido. Quando a luz se vai ninguém cruza os braços, quando a luz se vai todos procuramos, desesperadamente, a luz. A escuridão cura-nos a cegueira diurna, abrandamos os passos, sentimos o espaço, pressentimos os degraus e ficamos preparados para a queda. Nos momentos obscuros a distração não é julgada nem o erro será condenado, simplesmente nada se vê e tudo se sente. A luz tudo mostra, mas a queda é inevitável, imprevisível e a denuncia é tão certa como exposta pois andamos a correr, tropeçamos e caímos, não sentimos nem contamos, nos movemos distraídos. Queremos e corremos, competimos e vencemos! Glórias passam num "flash" e depois desesperamos por aquilo que sempre falta e se prende com um "slow" e com um "down". Abrandar, esticar as pernas, deixar os meios de transporte rápidos para, propositadamente, demorar e até chegar atrasado, mas desfrutar o caminho até chegar ao destino pretendido. O mesmo caminho que percorres em dez minutos passou a durar vinte e cinco minutos e transformou-se. Sentes as buzinas, os faróis e os pneus a passar por ti, a brisa te bate e o sol te encandeia, mas continuas a andar, conversas alheias, alguém que tropeça, varandas ocupadas, cheirinho a comida. Uma senhora bem vestida, outra apressada , alguém a apregoar e não ficas despercebido um "bom dia" te dizem e uma criança te sorri, alguém te confunde te chama e tu acenas envergonhado. Mudou o tempo, fica escuro e começa a pingar, tu e outros ao monte debaixo de varandas para abrigar, ninguém se conhece mas todos se olham e até começam a conversar. A chuva pára e a conversa continua e alguém te acompanha, mesmo atrasado um café não recusas. Já atrasado chegaste ao destino, meio molhado, cansado e até suado. Competiste, venceste, ultrapassaste o desconforto não te distraíste nem caíste, sentiste e viveste. Vinte e cinco minutos preenchidos e uma história, que apesar de banal, te pertence tapou a lacuna. Uma viagem longa guiou-te à glória, mas ainda melhor, fez-te viver nela.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Circuitos em curto circuito


Não procuro a perfeição nem pretendo ser compreendida o saber não ocupa espaço e a dúvida mantêm-me viva. Afinal, o que me inspira? De certo que a resposta estará sempre condicionada ao lugar, ao tempo e a alguém. A minha inspiração não me pertence de todo. Grande parte daquilo o que somos não é pelo nosso feito, mas sim o efeito de outrem. O simples facto de existir é antagónico tanta complexidade no meio de tanta simplicidade a perfeição é ilusória e relativa aos olhos de muitos e aos meus nem apela. Marcar pelos feitos, marcar pelo ser, marcar por conhecer é ser eterno e quem não inveja a eternidade, evitando viver a pensar no final, sempre a construir ou a descansar sempre prontos para mais um desafio. Nenhum dia é em vão, nenhum dia é indiferente, cada dia conta uma história, importa contá-las e vivê-las como novas como diferentes aventuras em que um dia somos heróis e heroínas, noutro somos personagens secundárias e noutros até podemos ser narradores. Pormenores, esses escapam e como é marota a felicidade que se apresenta muito subtil e disfarçada, mas sempre a surpreender, sempre inesperada. Procuramos palavras e não damos o devido valor à palavra não pronunciada, mas sentida e verdadeira, pois um silêncio pode significar muito. Mas qual será a mais importante a escrita ou a pronunciada? A escrita fica registada podemos lê-la e relê-la, por outro lado a pronunciada requer contacto visual e uma voz com palavras tremidas, indiretas, diretas, pausadas e até com clareza e o seu significado não é tão importante como os sinais que podemos interpretar devido à nossa fantástica e denunciante expressão oral. Com isto, afirmo que não são as palavras que procuro, mas os sentidos, sinais e direcções. Não posso esperar ser compreendida por alguém, muito menos compreender outrem, limito-me a respeitar e impulsionar sonhos e vontades, meter a chave na ignição rodá-la para fazer trabalhar o motor do mundo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Peça por peça...









Por mais curioso que pareça nem todas as peças do puzzle encaixam e num desenho complexo elas até nos iludem e encaixam, mas no fim há sempre uma ou mais peças que ficam por fora. Para montar um puzzle não podemos apenas dar uma vista de olhos pelo seu aspecto. Exige tempo, paciência e uma relação intima com cada peça, pois cada uma delas esconde traços que enganam os distraídos e abrandam os apressados. Pelo que vejo, um puzzle exige muito mais do que aparenta, portanto não se deixem iludir. Uns com peças pequenas e outros com peças maiores, com desenhos já formados que foram desmontados perdendo o seu sentido e que aquele que se aventura a montá-lo oferece o seu tempo para lhe retomar o sentido e a beleza. Somos como um puzzle! Constantemente desmontados, com algumas peças iludidas, mal montadas e com falta delas, sem sentido embora nunca esquecidos do resultado final. Sós nada conseguimos, terá que haver um curioso, um jogador, um aventureiro que faça a tentativa e nos tente montar. Por vezes mal montados, inacabados, montados, desmontados. Relevante será a relação de quem monta e desmonta, o desafio prende-se em descobrir, tentar, não desistir e concluir. Se este puzzle é demasiado complicado e não o consegues montar, desmonta-o por completo, não deixes o trabalho a meio, espalha as peças e não penses mais nele, pois é certo que existe sempre aquele que nunca conseguirás montar, mas que alguém um dia o irá fazer e lhe vai restituir o sentido e o brilho ligando as peças ao sítio certo , sendo que, o conquistou e o montou.

domingo, 6 de abril de 2014

Uma tela, uma obra literária, uma obra musical, uma gaveta...




Existem diversos olhares para a mesma situação e todos eles válidos pelo valor conquistado da liberdade de opinião. O olhar de um artista pode, ou não, ser compreendido, mas o que constitui uma arte e o que é uma arte? Quem atribui este estatuto é um avaliador? E quais as suas habilitações para este cargo? Estará ele acima da arte para avaliá-la? Não existem distinções de valores entre obras de arte a única classificação aceite é o valor máximo e incontestável. Todos temos um olhar crítico e avaliador acerca de toda e qualquer situação banal e extraordinária. A organização é imprescindível ao ser humano da mesma forma que temos a necessidade de guardar as roupas em gavetas também guardamos pessoas em gavetas catalogando-as. Uma menina da cidade quando passa numa freguesia remota deixa o seu cheiro como pegadas em areia que são seguidas pelos curiosos. Aos olhos de quem lá vive ela é uma novidade e até a sua saia justa, o seu decote ousado e o seu cigarro é sinal de novidade e reflexo dos progressos da cidade. Por outro lado, uma menina de freguesia no meio de uma cidade adopta hábitos, horários, stress, segue a moda, conhece novos pensadores, sai à noite e vai a cafés como qualquer outra menina da cidade, mas aos olhos da freguesia que a viu crescer o seu cheiro desperta coscuvilhice, a sua saia justa e decote abrem asas à imaginação das mentes tradicionais e todos os seus hábitos reflectem a sua leviandade. Facilmente catalogada. Desta forma vivemos numa sociedade que arruma nas suas gavetas quem bebe uma cerveja como alcoólico, uma mulher que beija outra mulher como lésbica, homens de mãos dadas são gays, um casal de amigos são namorados, quem tem tatuagens é drogado e quem tem carros "top" é traficante. Realmente há quem não saiba, minimamente, arrumar as suas gavetas. Seremos como qualquer avaliador de arte que está acima da obra que observa? Não estamos acima de ninguém! Todos temos olhares críticos e gavetas desarrumadas, mas tudo o que observamos é tão único e passageiro. Não esqueçamos que também somos peças arrumadas e quem nos arruma terá algum valor? A verdade é que todos somos avaliadores e todos somos peças de arte, mas a arte é aquela que permanece.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Incógnita permanente






Andam sempre na boca em qualquer café em qualquer esquina em qualquer confusão. Formam uniões e acompanham serões com conversas apimentadas confidências gargalhadas . São motivo de euforia e de drama: Homens...sejam eles altos, baixos, magros, gordos, brancos, amarelos, pretos ou arco íris todos eles conseguem quebrar a regra que estabelecemos de não nos deixarmos apaixonar. Parecem alérgicos a compromissos evitando o uso do  "para sempre". Com frases aprendidas, muito perfumados e encantadores sempre disponíveis para uma boa festa.  Não escondem as expressões que denunciam aquele elogio exagerado pela tentativa de sedução, o apetite por um momento, mas quem se apaixona ignora os sinais e escolhe o que quer ver. Tem a vida facilitada e os seus comportamentos desculpados simplesmente por terem nascido com o órgão masculino e isso lhes dará o direito de brincar usar e descartar?! Fazem-se indispensáveis e como qualquer político em época campanha ilude com promessas conseguindo com a mais fácil perícia a atenção e o inevitável voto. Os primeiros dias são uma festa, entretanto quando é chegada a hora da promessa cumprida chovem desculpas até que esquecemos de como era a cor do sol e a que sabia tal promessa.
Não compreendo a necessidade de superioridade do sexo masculino. O quão lhes custa admitir um "não". Sempre um "não posso" a substituir o "não quero" criam ilusões e arranjam sempre forma de se livrar da culpa. Admito que são as melhores companhias em festas e que pouco ou nada ouvimos os seus dramas, que apesar de os esconderem eu acredito que os têm. São profissionais no que toca a esconder tendem a mostrar apenas o seu lado bom e festivo ao contrário do sexo feminino que não deixa de contar os seus dramas. Homem que é homem foi ensinado a não demonstrar medo, a não hesitar, a não chorar quando caí, a não demonstrar sentimento, a ter sempre os melhores brinquedos a correr mais que as raparigas a brincar com bolas e carrinhos e deixar as bonecas e os corações para as meninas. Serão os culpados pelos valores que lhes foram incutidos?! Fácil não refutar e manter as regalias.  Soberania certa dos senhores e subordinação mais que certa das senhoras. Por mais que esta ideia seja rejeitada ela persiste na realidade.  Homem que é homem não se limita a frases bonitas, homem que é homem aprende com suas quedas, homem que é homem tem objectivos não é soberano e respeita. Homem que é homem fecha os olhos para ouvir o bater do seu próprio coração e confessa à lua o seu amor liberta a sua alma. Não há garantias apenas experiências, opiniões partilhadas e factos guardados. Críticas são abundantes, mas deixo esta minha que sem razão contém um elogio disfarçado. Um viva aos homens e às mulheres que os ensinam!

terça-feira, 18 de março de 2014

"Espelho meu, espelho meu..."



Se a nossa imagem fosse o reflexo do que somos haveria beleza? Quem tem uma deformação ou simplesmente está distante do conceito atribuído de beleza é excluído. Isto porque carrega consigo, sem preconceitos ou pudor, aquela deformidade e esfrega aos olhos de quem a quiser ver. O que para mim constitui a coisa mais pura e verdadeira. Não existe uma representação fiel de cada pessoa à primeira vista. Cada indivíduo pode ser muito mais ou muito menos do que aparenta. Ignorante todo aquele que julga baseado numa primeira impressão e também quem tem por ídolo uma imagem. Conhecer é um curso que pela sua complexidade não forma nenhum aventureiro estudante!
Quem passeia sua beleza dificilmente será julgado por impureza a primeira impressão de qualquer ignorante será a de contemplar e tendencialmente elogiar e até enaltecer sem conhecer. Afinal, pecamos pela imagem ou pelo ser? O monstro será aquele que o aparenta ou quem o olha?! O compromisso será o de tentar tirar o curso, evoluir e perseguir cada cadeira do processo complexo que é conhecer. As novas tecnologias da comunicação, como as redes sociais, fizeram-nos retroceder neste processo. A carta perfumada, a caligrafia denunciante, as palavras cuidadosamente pensadas, as conversas atenciosas e os riscos acrescidos foram fuzilados e cremados. Hoje encaramo-nos com um menu no monitor repleto de imagens para todos os gostos onde os defeitos e qualidades são expostas a um publico de todas as faixas etárias. Demonstra-se a curiosidade com um clique e uma conversa no teclado sem a marca caligráfica pessoal, sem o cheiro, sem os sinais e sem correr grandes riscos. A alienação instala-se e esquecemos que muitos amigos e sentimentos acrescidos são apenas para com imagens, conhecemos apenas a capa e esquecemo-nos que o mais importante é o conteúdo. O superficial passa a ser o estado normal de conhecer. Atinge-se satisfação por tão pouco. Quero voltar às cartas aos códigos e decifrar os sinais, quero seguir as pistas e passar no curso. A deformidade é uma dor, uma cicatriz conta uma história e a capa medonha de um livro pode conter a mais bela e cativante história. Acredito que somos o que mais ninguém vê e conhecer é uma aventura.

terça-feira, 11 de março de 2014

Expiração tóxica



Quando se dá o grito de ajuda alguém aparece? Controlar aquilo que se desconhece é querer perder o controle daquilo que não se tem. Por vezes precisamos que ninguém apareça. Temos aquele hábito reles de satisfazer e agradar. A imprescindibilidade aprisiona-nos numa roda hamster que nos leva a lado nenhum e com plena consciência  do vácuo. Contudo, quando somos nós a precisar quem aparece?! Aquele que aparece, mesmo que inesperado, transforma o nosso ADN. Integra e, por vezes, radicaliza a nossa vida, perdemos o focinho e ganhamos asas. Renascemos com novas visões do mundo, novos balanços, novas formas de viver. Nunca perdendo a atracção por aquilo que desconhecemos, mas que nos atrai. Conhecer é aproximar do familiar é tornar familiar. Seremos todos insânos por acreditar que virá alguém? A nossa crença no "tudo acaba bem" é uma ilusão incutida desde crianças com o "final feliz" dos contos de fadas. Preparação é exigida, nem tudo acaba bem! Depois da lente ampliada e da captação de vários panoramas há sempre a tendência para diminuir a lente e fazer um foco, captar o pormenor de determinada matéria. O alvo é escolhido, o foco definido, o quadro está concluído e a lente é fechada. Quem nunca apareceu desconhece a semiótica por completo e quem fica à espera tem por costume estar sempre presente. É altura de mudar os costumes e deixar de aparecer.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Dia do Entrudo

É o dia de tirar a máscara que usamos todos os dias.Como atores sociais que somos, deixamos cair as nossas máscaras saímos da plateia e juntamo-nos ao publico. Damos conta que afinal conhecemos muita gente e que vale a pena um sorriso contagiante e um olá tão escancarado como uma porta aberta a fazer corrente de ar levando ao batimento das janelas e cortinas pelos ares. É o dia que recusa os olhares disfarçados e rejeita qualquer discurso formal. É o dia da informalidade, da união pelo riso. É a comemoração da queda da máscara e um VIVA bem grande à espontaneidade. Brincadeiras acesas que contagiam, variedades de papeis, variedades de cores, sons, saltos, danças...O que queres ser quando fores grande? No dia do entrudo, podes escolher e tomar o que tem de melhor de cada profissão, pessoa, filme, sonho. Este ano quis ser dançarina de cabaré e para o próximo ano, tenho várias opções para escolher!

segunda-feira, 3 de março de 2014

Limpeza geral



Encontro-me numa altura em que reclamar da lixeira passada mantêm-me fixa, cose a minha sombra e faz-me retornar à imundice. Afinal, quem não tem uma lixeira?! É tempo de reduzir nas asneiras, reutilizar quem e que coisas, realmente, precisamos e finalmente depositar o desnecessário num aterro sanitário e deixar que construam uma linda moradia por cima. A confusão instala-se sempre que começamos uma limpeza a sério. A questão é, por onde começar? A resposta é simples, o primeiro passo é eliminar o dispensável, se consegues viver sem, então não precisas! Nada é certo nem errado, existem apenas escolhas carregadas de sentidos. Se nos compreendêssemos nunca seriamos percebidos, a mesma realidade pode ter várias versões da mesma forma que a moeda tem dois lados. Não te entregues, muito menos te deixes levar por menos do que vales. Se a imundice te persegue então torna-te inacessível. Acorda a pensar que tens o mundo dentro de ti e não que o mundo te engoliu, não somos a digestão do universo, nós somos aquilo o que ainda não se conhece, mas que criou galáxias. Criamos aquele sistema que avalia, constantemente, a gravidade da situação, rodeados de brilho que encadeia quem se encontra, numa mistura de poeira que nos confunde e ainda criadores daquela matéria negra que nos hipnotiza. Apesar de termos muita fé nas crianças, estas não limpam casas, quartos, vidas, mas claro que a lixeira que fazem apresenta males menores. Apenas uma pessoa crescida, vivida e adulta poderá assear a sua vida, tirar as manchas fazer-se brilhar até se tornar no próprio brilho. Atribui um valor a ti próprio e não te deixes levar pelos saldos, tudo o que é novo ou está na moda é perseguido pelas massas, mas com um curto prazo de validade, tudo o que é clássico permanece. Não sejas um clássico nem o que está na moda, sê apenas indispensável. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sou um balão cor-de-laranja, e tu?


Sim, já percebi que a felicidade não é "pêra doce". Sinto-me injustiçada!! Até posso seguir as mesmas pegadas, vestir a mesma roupa, dizer as mesmas falas, mas ela fecha-me a porta na cara e ainda liga o alarme, compromete-me e fico desamparada. Porque é que a felicidade de ontem, mesmo eu seguindo os mesmos passos, não me assiste?! O que mudou? Acho que o brilho da "primeira vez" é em geral o espontâneo, seja em qualquer situação. Dou por mim a rolar a cassete da minha vida e, para meu espanto, as situações mais simples e aquelas que tornaram o improvável provável, estão sublinhadas de cores freneticamente vivas, de tal maneira acesas, como um sinal de STOP bem grande e é neste trânsito que sou obrigada a parar para quase reviver aquela experiência na minha mente, que progressivamente recupero aquele vislumbre daquilo que outrora fui, vivi, senti. Somos balões na boca da felicidade, que nos enche, sorri, brinca e salta, mas facilmente se cansa que nos dá ao aborrecimento e à rotina, de repente, o mesmo balão se torna diferente, já experimentado, menos apetecível. 
O ritmo de cada dia, de cada hora, aliás, é que dita a qualidade da felicidade sentida.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Recuso-me a falar de amor

 



Batimento cardíaco acelerado, boa disposição constante, tendência a minimizar qualquer obstáculo. A vontade do toque, do cheiro, da palavra escrita. Abaixo os conservadores!!! Uma protestação interna. Certos daquela irracionalidade prazerosa de pisar o risco. Eu, tu, eu, tu, eu, eu ,eu,eu,eu: "Eu quero-te", "Eu desejo-te", " Eu penso em ti", "Eu tenho",  "Eu sou", " Eu vou fazer...", "Eu posso". Promessas constantes, romance que ,embora barato, surte efeito. O mundo parece sorrir-nos e até possuímos as estrelas, o sol, os planetas. O tempo fica, indiscutivelmente, a nosso favor.
   Despertar e sentir o desejo, o desejo daquilo que não podemos ter, o fantasiar frívolo num futuro que não existe, a ansiedade por aquela mensagem que nos salva o dia. Todos somos presas fáceis à paixão, e esta será apenas o pútrido, a podridão que, estranhamente, é um dos componentes que constitui o mais belo perfume. A paixão é uma arte inata do ser humano, é sempre necessário um "banho de água fria" para apagar a chama. A paixão é um direito, um processo do conhecimento dos limites internos da alma que faz extrair o nosso lado mais primata. É um sentimento corrompido e injustiçado  pelas regras sociais, pela ética e moral. A nossa biologia, a libertação das feromônas não se funde com a filosofia nem com a literatura, mas é ela que dá origem à inspiração, à Arte. É um estado de euforia constante e atrevo-me a em afirmar que sem a paixão não existiria a Arte, não desfrutaríamos das grandes obras que tornaram os seus criadores imortais. O que é o amor? - pergunto eu- será aquela chama que sobrevive ao "banho de água fria"? Bem o amor é (...) não vos vou falar de amor, mas aconselho-vos fervorosamente a amar.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Retroceder para brilhar

Encontramos, cada vez mais,  estilos retro. Batom vermelho, risco preto no olho, cachos apanhados com lenços coloridos, óculos de sol pontiagudos, padrões xadrez, às bolas às riscas aos corações. Muitas de nós, mulheres de todas as faixas etárias, está a identificar-se um pouco com o passado. Será por falta de ídolos no presente e na precária esperança depositada no futuro?! Ou será o desejo de trazer o brilho dos anos 50? A mulher tornou-se um ser assexuado que vestiu as calças e sustenta a família, deixando o seu lado feminino adormecido. Isto não quer dizer que a mulher não se arranje, ou não se preocupe com a sua aparência, isto significa que a mulher deixou de ter tempo exclusivo para a beleza e que agora tem outras preocupações e objetivos maiores. Todas somos Wonder women, não precisamos de calças, somos aquelas que multiplicam o tempo  e não precisamos de armas para conseguirmos conquistar o que queremos, usamos palavras certas em que cada letra corresponde a um tiro!! Descobrimos que também podemos ser sensuais e que esta evolução apenas nos torna concorrentes mais fortes neste mundo de vagas curtas e de oportunidades escassas.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Privação sentimental



Só se consegue descrever minimamente qualquer tipo de sentimento no momento limiar em que se sente. O tempo tudo leva, tudo cura, tudo arrefece, o que distorce e afasta a descrição do que se pretende compreender. Para se ter equilíbrio é necessário estar-se em movimento, o mesmo não se aplica quando se está em desequilíbrio. Fazer uma pausa, fazer uma lista, organizar antes do replay. Torna-se difícil ignorar a irracionalidade que se disfarça em clareza nos momentos mais frágeis de dor. Não existem analgésicos para este tipo de dor, ou melhor, existem, mas não surtem efeito na prática. O tempo, a paciência, o estado de pausa, o adiar das decisões importantes constituem uma boa receita. Aconselham-se abraços demorados, olhares comunicativos, silêncios tagarelas, um chá que aconchegue, um livro que conte. A tristeza é um estado enriquecedor do próprio "eu", constitui uma aprendizagem e um conhecimento dos limites de cada um, e este apenas pode aprender consigo próprio, sentindo na pele cada sinal enviado pelo cérebro às diversas partes do corpo onde exteriorizam os diversos tipos de dor.  A falta ou excesso de apetite, o isolamento, o aumento de horas na cama, aquele sorriso esforçado, a constante má disposição, as dores de cabeça, a confusão no cumprir de tarefas, a distracção e o esquecimento de determinadas tarefas tornam-se uma constante falha, são sinais que expressam a dor, a tristeza, decepção e,em casos mais extremos, a depressão. A primeira tentação será sempre a de melhorar, piorando. A fácil adopção de vícios como o cigarro, álcool e até drogas e medicamentos. Sem um acompanhamento iremos nos afundar. Felizmente ou infelizmente somos seres dependentes e será o companheirismo e o contacto, por menor que seja, que nos tirará da pausa e nos lançará ao replay, ao movimento, ao equilíbrio.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Sem importância






Sou uma pessoa cheia de vontades, muito criativa que chego a aborrecer-me com as horas que parecem injustas. Cada dia é tão único cheio de experiências que me deixa tão amarga quanto doce. A indefinição do que quer que seja e todas as incertezas fazem parte daquilo que não sabemos ser, mas que está prestes a chegar. Não existe o nada, pois o nada é algo que existe, é a ausência da criatividade, da mesma maneira que o preto é a ausência da cor. Começo a comparar-me cada vez mais com o Shrek. Ele define-se como uma cebola, por também ter camadas, mas estas camadas não são visíveis nem palpáveis, são sentidas e tudo o que é sentido é tão pessoal tão interno tão profundo. À medida que vou perdendo camadas torno-me mais sensível, vai crescendo uma pequenez na minha alma, reduzindo o meu leque de escolhas para aperfeiçoar o meu ser que, ainda, não conheço por completo. Cada vez mais, constato que pouco importa o físico e a aparência, pelo menos para este meu mundo pouco frívolo. Importa quem me faz sorrir sem mostrar os dentes ou mover os lábios. Troco um príncipe encantado por um Shrek de verdade!

sábado, 18 de janeiro de 2014

Desencanto



Amor não é sinónimo de felicidade como a maioria das pessoas idealiza, é um sentimento de extremos que rapidamente se transforma em pesadelo. Amor é um estado de alma que pode não ser partilhado nem correspondido o amor é individual. Um amor entre casal atinge extremos, a necessidade de proteger o outro e de o deixar a salvo do mundo é o indício do egoísmo e de um certo egocentrismo por uma das partes. Realmente, quem ama é egocêntrico! Isto porque há um desejo de se ser indispensável na vida do outro, criando situações de dependência um pelo outro para reforçar os laços de vínculo entre duas pessoas. A criação de rotinas é uma consequência do controle e uma forma de admitir, ou não, certas situações e comportamentos não deixando lugar para o imprevisto. A partilha de tudo entre o casal faz diminuir o seu espaço como indivíduo levando, muitas vezes, ao despedimento de diversos indivíduos no seu quotidiano, mantendo apenas um foco na sua "cara metade" pois este passou a substituir todo o seu mundo, o restante torna-se dispensável e um passado nunca terá lugar no presente. Nós como seres humanos temos a dádiva de uma vida e numa relação com alguém escolhemos metade de uma vida abdicando da sua para viver a de ambos, e esta nunca será a mesma. Uma vida partilhada é viver pela metade, é aceitar mais desvantagens do que benefícios é nunca estar completamente satisfeito e mesmo assim esboçar um sorriso. Amar é sofrer e ser feliz com isso! 


sábado, 4 de janeiro de 2014

O que é nua e crua...





Quando todos os nossos objetivos forem concretizados nada nos restará. A pressa é tão inimiga da perfeição como da própria vida. Quando estamos com fome ficamos sempre a pensar na refeição perfeita, fazemos de tudo para tê-la e depois de conseguida, e da fome saciada, não pensamos mais naquela refeição. O mesmo acontece nas relações, nos sonhos, nos objetivos, depois de conseguidos perdem o brilho o valor e dão lugar ao desencanto. O esgotamento e a escassez de um objeto de motivação a seguir levam à dura exposição da inconsciência que é o estado mais sensível e frágil de cada ser humano. Abraçar o esforço, o erro, a queda, pois deles virá a sabedoria que nos ensinará a saborear tudo aquilo que concretizamos, tudo aquilo o que nos é dado e aceitar tudo aquilo o que nos está reservado.