sábado, 22 de janeiro de 2022

O meu lindo malcriado

O meu filho

Começa o dia a mostrar-me os dentes todos no meio das suas bochechas fofinhas e rosadas e começo o meu dia a olhar para aquele gigantesco sorriso. Ele desvia o meu cabelo da cara e tenta abrir-me as pálpebras dos olhos - "acorda mamã, levanta, vamos para a sala que o Afonso quer brincar"- diz ele. E eu sigo, puxada pela mãozinha dele, alguns passos fora da cama e ele pede-me o - "colinho mamã". É tanta alegria neste simples pedacinho da manhã.

No decorrer do dia ele é quase a minha sombra e nunca estou só e com ele há sempre muito para fazer, numa "to-do list" quase interminável "o Afonso quer fazer" , "o Afonso quer ver", mas a mais típica é "o Afonso quer ajudar" e sim, ele fala na terceira pessoa quando se refere a si, ainda está aprendendo e confesso que pouco o corrijo por achar mesmo muito engraçado.

Se o meu filho fosse meu cliente, seria o mais exigente de todos, se cada birra que faz fosse uma reclamação não haveria estabelecimento aberto. Usa e abusa do " não é esse", "não quero isso", mas também do "obrigado", "por favor" e quando tem aquilo o que quer também usa o "muito obrigado" o "é isso mesmo!" e o mais recente "muito bem, incrível", mas é um ser muito impaciente...tudo corre bem se ele for atendido de imediato, mas como isso não acontece vem a birra, aquela reclamação vergonhosa em público, que admito que hoje pouco me envergonha. Prefiro que ele grite, chore, se estenda no chão a bater com as pernas, desde que não se magoe, e aprenda que o mundo onde ele vive agora é muito lindo, mas não é perfeito e ninguém o é e está tudo bem. A birra é temporária, mas faz cada espectáculo memorável a quem o assiste. Acho que todas as funcionárias dos supermercados que frequentamos já o conhecem e não fosse ele tão lindo que todas o adoram. Ele é o menino que só larga aquele pacote de bolachas para entregar em mãos à senhora do caixa e se ela demora a devolver ele grita, mas logo se seguida olha para mim e diz "não grita, não é mamã" enquanto elas aflitas e atrapalhadas devolvem-lhe as bolachas nas mãos. O sentimento de frustração nas crianças não é mudo, faz-se notar, é barulhento, mas está presente nas nossas vidas desde que nascemos, desde aquele primeiro "não". Todos temos de a sentir e todos temos de aprender a lidar com ela, uns mais barulhentos que outros.  

Mas todos os dias ele enche-me de orgulho e o que eu acho mesmo incrível é ele ver-me muito sossegada e dizer-me "a mamã está triste" e logo de seguida dizer-me "mamã olha o Afonso está feliz, a mamã está feliz" e ele tem toda a razão, estou feliz quando ele está feliz e bem. Fico muito impressionada com a velocidade a que ele aprende e já me agarro ao álbum de fotografias em que ele tinha apenas 2.300kg e não me pesava ao colo. 

O meu filho tem 33 meses e daqui a 3 meses faz 3 anos, pesa 20kg e canta, fala e quase nunca se cala. Ainda tenho noites com poucas horas de sono, tem dias em que ainda consigo cozinhar e manter a casa limpa e mais ou menos organizada por umas horas, mas já percebi que a minha vida e a nossa casa só parece bem quando há essa vida, esse desarrumo. Ele é a necessidade que me motiva e alegra a arrumar e a organizar a nossa casa e a minha vida. Vou sempre reclamar ,parece-me que nisto o puto sai a mim, mas a vida é assim.

Aprendendo a ser mãe...com o meu filho, o meu lindo malcriado e muito amado Afonso