terça-feira, 12 de agosto de 2014

Rotina! Sim ou não?




Quando vemos um filme mais do que uma vez o seu factor surpresa, o botão da curiosidade e aquele arrepio na nuca que nos molha os olhos deixam de existir. As gargalhadas ficam mudas depois de ouvir as mesmas piadas, o suspense com um arregalar de olhos num filme de terror dá lugar a risos e há busca de erros, que tornam ridículo o factor inicial do susto e do medo. A atenção é interrompida com distrações superfulas e, em casos extremos mas frequentes, funciona como uma canção de embalar para adormecer. Adormecemos em posições desconfortáveis e acordamos cheios de dores. Ah, filmes que se repetem sem conta, oh dias que já não passam de clones. Vidas como impressoras que imprimem 365 cópias da mesma folha e onde se perdem as originais. Cores gastas passando a preto e branco, perdeu-se o brilho vivem-se as horas e após as vinte e quatro imprime-se mais uma cópia da mesma folha, cada vez mais gasta que parece cansada, quase já nem se vê. Muda os tinteiros, dá cor às tuas folhas, salta por cima dos obstáculos e pinta por cima, pinta com as tuas mãos e não deixes que uma máquina te controle. Cria novos desenhos, explode com cores, evita as repetições, deixa de dormir, deixa de estar cansado e vive! Pinta a própria impressora, usa cores vivas, cores que te alegrem, cores, cores, cores, muitas cores misturadas. Grava o teu próprio filme, captura as tuas próprias imagens, deixa de ser dependente da mecanização, deixa de ser escravo da indústria. Rotina como, se há tanto para experimentar? Não deixes que a rotina te conduza, saí do assento, saí desse transporte que só conhece um percurso. Caminha e explora, pois novos caminhos, novas vistas, novas cores, cheiros e sabores estão por ai, só tens de te levantar. 

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