Nós
pertencemos atrás das cortinas do espetáculo da vida. Onde choramos, rimos,
gritamos, desesperamos, resolvemos, não paramos, falamos, abraçamos, ajudamos. Despejamos
o nosso ser para deixar de ser ao subir da cortina. Tudo para receber os aplausos
de aprovação da sociedade. Apresentar-se sendo quem não se é representa o
código social aceite nos nossos dias. Sem identidade, mas dentro de um padrão.
Eu não sou eu quando a cortina sobe e por isso deixo-me ficar atrás dela, onde
o verdadeiro espetáculo sem expectadores acontece. Onde não tenho de me
preocupar com os olhares, comentários e até do que as pessoas possam pensar.
Mas é inevitável apresentar-me ao espetáculo, e por mais que eu tente, não sou
indiferente ao julgamento dos outros. As pessoas julgam independentemente do
que sabem e por mais insignificante que seja afeta-me e condiciona o meu
comportamento. Não quero expectadores, quero participantes que apenas se
intrometam para ajudar. Quero convidados de mentes abertas e corpo leve que se
deixem levar a qualquer lugar e a sentir. Quando representamos deixamos de
sentir. Fingimos que sentimos o que se deve nos momentos oportunos. Mas ninguém
verdadeiramente controla o que sente nem sabe explicar porque sente. Porquê justificar
um comportamento, porquê optar por uma escolha só para não fugir ao padrão?!
Mecanismos de controle que nos transformam em marionetas e nós deixamos porque
não sabemos o que fazer. Macacos de imitação é o que somos. Ignoramos a nossa
voz para ouvir a voz dos outros.