A tristeza encontrou-me! Eu fugi daquela felicidade que me enchia o coração e me iludia a cada dia, sim eu fugi e depois neguei-lhe na cara. Recusei todo o tratamento que me podia fazer sentir especial, mas mesmo assim tocou-me o coração. Tudo é efémero e esta tristeza que me agarrou nos ombros e me olhou nos olhos, um dia vai desaparecer. Aquele ditado "quanto mais alto subires maior é a queda" faz-me não querer subir muitos degraus. Há quedas que nos desmembram e eu não quero desmoronar mais uma vez. Um pouco de mim se vai e a cada perda torno-me menos humana e mais uma representação de mim própria que a pouco e pouco vai-se desgastando e perdendo o sentido até se tornar num objeto. Cada encontro é uma despedida, porque tudo acaba e pouco fica. Nada sei sobre o que quero, mas sempre certa daquilo o que não quero. Combato a rotina e descalço as meias para sentir o gélido chão que me sustenta e, como um gato escaldado que tem medo de água fria, acanho-me e tendo a não experimentar com medo de mais um trambolhão. Todos já caímos do último andar de um arranha céus, mais cedo ou mais tarde ficamos em coma e renascemos. Decorei o significado de cada cicatriz para não voltar a cometer os mesmos erros, mas desafiei os meus medos e continuei a acreditar, erro este que eu nunca aprendo e sempre cometo. Apercebi-me que tenho mais receio de ficar presa a tudo o que conheço do que sair acreditar e cair no chão, mas conhecer, aprender, descobrir... enfim, viver!
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