quarta-feira, 16 de abril de 2014

Circuitos em curto circuito


Não procuro a perfeição nem pretendo ser compreendida o saber não ocupa espaço e a dúvida mantêm-me viva. Afinal, o que me inspira? De certo que a resposta estará sempre condicionada ao lugar, ao tempo e a alguém. A minha inspiração não me pertence de todo. Grande parte daquilo o que somos não é pelo nosso feito, mas sim o efeito de outrem. O simples facto de existir é antagónico tanta complexidade no meio de tanta simplicidade a perfeição é ilusória e relativa aos olhos de muitos e aos meus nem apela. Marcar pelos feitos, marcar pelo ser, marcar por conhecer é ser eterno e quem não inveja a eternidade, evitando viver a pensar no final, sempre a construir ou a descansar sempre prontos para mais um desafio. Nenhum dia é em vão, nenhum dia é indiferente, cada dia conta uma história, importa contá-las e vivê-las como novas como diferentes aventuras em que um dia somos heróis e heroínas, noutro somos personagens secundárias e noutros até podemos ser narradores. Pormenores, esses escapam e como é marota a felicidade que se apresenta muito subtil e disfarçada, mas sempre a surpreender, sempre inesperada. Procuramos palavras e não damos o devido valor à palavra não pronunciada, mas sentida e verdadeira, pois um silêncio pode significar muito. Mas qual será a mais importante a escrita ou a pronunciada? A escrita fica registada podemos lê-la e relê-la, por outro lado a pronunciada requer contacto visual e uma voz com palavras tremidas, indiretas, diretas, pausadas e até com clareza e o seu significado não é tão importante como os sinais que podemos interpretar devido à nossa fantástica e denunciante expressão oral. Com isto, afirmo que não são as palavras que procuro, mas os sentidos, sinais e direcções. Não posso esperar ser compreendida por alguém, muito menos compreender outrem, limito-me a respeitar e impulsionar sonhos e vontades, meter a chave na ignição rodá-la para fazer trabalhar o motor do mundo.

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