O Futebol conquistou o lugar de um dos maiores espectáculos desportivos do mundo. É um desporto que enche as bancadas do campo, onde há a partilha e a vontade de vencer, onde a união exerce um poder de apoio moral dos adeptos à sua equipa, em que cada grito de força cada assobio é responsável por mais uma corrida até à bola, por mais uma finta, por mais uma tentativa e por um resultado melhor. Os jogadores como guerreiros correm, defendem o seu território, intimidam, chocam, caem, invadem e conquistam sempre que fazem rolar a bola para dentro da baliza, pois nela estão representados todos os adeptos que por eles apelam, gritam e torcem. Desporto básico, mas que a poucos é indiferente e a grosso modo implica um bom trabalho de equipa, correr e marcar o máximo de golos possíveis num período de 90 minutos. Apesar da sua enorme transformação, desde chutar crânios de inimigos para celebrar a vitória, ainda se assiste a momentos de violência no futebol, o que nos nossos dias é inadmissível. Os grandes ídolos dos infantes e da juventude, que começa a tomar gosto pelo nobre desporto, ultrapassa a barreira entre a emoção e o objetivo e com atos violentos compromete toda a sua equipa e toda uma geração. O gosto amargo de um cartão vermelho é o que distingue futebol jogado com bolas e do jogado com crânios. História, culturas, etnias e línguas, todas as suas diferenças desaparecem em campo. Que diria Hitler ao ver Jerôme como um dos heróis da seleção Alemâ?! Existe apenas uma linguagem dentro do campo, as regras do jogo, perceptível a todos, igual para todos. Ponho-me a pensar em como seria o mundo se todas as guerras tivessem sido jogos de futebol, sem mortes, sem perdas, sem destruição. Por mais cruel que pareça, cheguei à conclusão que, tal como o cartão vermelho é essencial num jogo de futebol para restabelecer ordem, o mesmo se aplica ao mundo relativamente às guerras. Todas as revoluções, toda a paixão, toda a esperança, toda a tela repleta de sentimento, todos os heróis da história e toda a nossa cultura desaparecia. Perderíamos toda a herança cultural do mundo. Foi através da dor que houve a força e a evolução e o futebol é uma recriação de um campo de batalha, onde reconhecemos a história e vemos onde ela nos levou.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
terça-feira, 3 de junho de 2014
Desperta
Quem vive despertando ao som de pássaros fica com os ouvidos anestesiados e deixa de os ouvir, é como quem vive de verdades desperta na cegueira e acredita em lendas, mitos e contos. É nas ruas da vida que se assiste e comete, é por onde tudo passa, porque tudo o que passa é passado. A noite chega e nem bate à porta, invade onde quer que eu esteja para me trazer a lua que vem cheia de saudades me contar e me confessar tantas verdades que ninguém tem coragem para dizer. Ela nem fala, mas diz-me tanto com suas diferentes faces e com a sua luz plena, embora distante, está sempre presente. Ilumina-me com suas estrelas sem me encandear com excessos. O céu é testemunha do meu dia e não há tecto que o esconda, não há tecto que me oculte e não há olhos que me julguem melhor que os meus, que são os únicos que verdadeiramente me conhecem. Quem chega repleto de nada para oferecer é um corpo vazio de tanta ilusão, meu corpo não me pertence e da minha alma percebo um pouco que é nada, mas sei que é eterna. Quem sofre reconhece uma lágrima guardada num lenço, quem sente nunca deixa de sentir mesmo quando o nada ataca, mesmo quando o silêncio prevalece, mesmo quando 15 minutos são 60 minutos quando tudo está na mesma, nada mudou, e a espera continua. Quando vale a pena, 15 minutos até podem durar 72 horas que não viro as costas, não bato com a porta, não me afasto respiro e espero. Quem sente sabe, quem sente é feliz, mesmo quando está triste, porque a tristeza passa e quando passa é passado. Quem vive despertando ao som do nada fica dependente de um alarme e não deixa de o ouvir, mas por vezes ele deixa de tocar e vencem as desculpas que se reproduzem e se tornam em histórias, mitos e contos que alguém, que desperta com pássaros, mas não os ouve, vai acreditar. Sempre acordei com o chilrear de pássaros, até que um dia me mudei para longe dos olhos de quem me viu crescer, andei por chão escorregadio e descobri ruas na minha existência e explorei, pisei o chão virgem, me aventurei cresci e aprendi. Tudo que antes era nada passou a fazer falta, e heis que minhas bases foram vinculadas, minhas incertezas aceites e das poucas certezas veio aquela que realmente importa, amor incondicional, foi o que encontrei nos olhos de quem me ama assim que voltei a despertar ao som de pássaros. O ser humano é insatisfeito por natureza e nunca é demais querer e tentar ser uma melhor versão, sair, explorar, arriscar. Sempre que perdidos seremos achados nas nossas origens. As minhas não são os meus amigos de infância nem as minhas histórias na alturas de escola, não são lugares nem casas ou monumentos, a minhas origens são a minha verdadeira fonte de felicidade são a minha família. Com eles sou vazia de ilusões e cheia de certezas para dar. E tu? Quais são as tuas origens?
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