segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sou um balão cor-de-laranja, e tu?


Sim, já percebi que a felicidade não é "pêra doce". Sinto-me injustiçada!! Até posso seguir as mesmas pegadas, vestir a mesma roupa, dizer as mesmas falas, mas ela fecha-me a porta na cara e ainda liga o alarme, compromete-me e fico desamparada. Porque é que a felicidade de ontem, mesmo eu seguindo os mesmos passos, não me assiste?! O que mudou? Acho que o brilho da "primeira vez" é em geral o espontâneo, seja em qualquer situação. Dou por mim a rolar a cassete da minha vida e, para meu espanto, as situações mais simples e aquelas que tornaram o improvável provável, estão sublinhadas de cores freneticamente vivas, de tal maneira acesas, como um sinal de STOP bem grande e é neste trânsito que sou obrigada a parar para quase reviver aquela experiência na minha mente, que progressivamente recupero aquele vislumbre daquilo que outrora fui, vivi, senti. Somos balões na boca da felicidade, que nos enche, sorri, brinca e salta, mas facilmente se cansa que nos dá ao aborrecimento e à rotina, de repente, o mesmo balão se torna diferente, já experimentado, menos apetecível. 
O ritmo de cada dia, de cada hora, aliás, é que dita a qualidade da felicidade sentida.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Recuso-me a falar de amor

 



Batimento cardíaco acelerado, boa disposição constante, tendência a minimizar qualquer obstáculo. A vontade do toque, do cheiro, da palavra escrita. Abaixo os conservadores!!! Uma protestação interna. Certos daquela irracionalidade prazerosa de pisar o risco. Eu, tu, eu, tu, eu, eu ,eu,eu,eu: "Eu quero-te", "Eu desejo-te", " Eu penso em ti", "Eu tenho",  "Eu sou", " Eu vou fazer...", "Eu posso". Promessas constantes, romance que ,embora barato, surte efeito. O mundo parece sorrir-nos e até possuímos as estrelas, o sol, os planetas. O tempo fica, indiscutivelmente, a nosso favor.
   Despertar e sentir o desejo, o desejo daquilo que não podemos ter, o fantasiar frívolo num futuro que não existe, a ansiedade por aquela mensagem que nos salva o dia. Todos somos presas fáceis à paixão, e esta será apenas o pútrido, a podridão que, estranhamente, é um dos componentes que constitui o mais belo perfume. A paixão é uma arte inata do ser humano, é sempre necessário um "banho de água fria" para apagar a chama. A paixão é um direito, um processo do conhecimento dos limites internos da alma que faz extrair o nosso lado mais primata. É um sentimento corrompido e injustiçado  pelas regras sociais, pela ética e moral. A nossa biologia, a libertação das feromônas não se funde com a filosofia nem com a literatura, mas é ela que dá origem à inspiração, à Arte. É um estado de euforia constante e atrevo-me a em afirmar que sem a paixão não existiria a Arte, não desfrutaríamos das grandes obras que tornaram os seus criadores imortais. O que é o amor? - pergunto eu- será aquela chama que sobrevive ao "banho de água fria"? Bem o amor é (...) não vos vou falar de amor, mas aconselho-vos fervorosamente a amar.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Retroceder para brilhar

Encontramos, cada vez mais,  estilos retro. Batom vermelho, risco preto no olho, cachos apanhados com lenços coloridos, óculos de sol pontiagudos, padrões xadrez, às bolas às riscas aos corações. Muitas de nós, mulheres de todas as faixas etárias, está a identificar-se um pouco com o passado. Será por falta de ídolos no presente e na precária esperança depositada no futuro?! Ou será o desejo de trazer o brilho dos anos 50? A mulher tornou-se um ser assexuado que vestiu as calças e sustenta a família, deixando o seu lado feminino adormecido. Isto não quer dizer que a mulher não se arranje, ou não se preocupe com a sua aparência, isto significa que a mulher deixou de ter tempo exclusivo para a beleza e que agora tem outras preocupações e objetivos maiores. Todas somos Wonder women, não precisamos de calças, somos aquelas que multiplicam o tempo  e não precisamos de armas para conseguirmos conquistar o que queremos, usamos palavras certas em que cada letra corresponde a um tiro!! Descobrimos que também podemos ser sensuais e que esta evolução apenas nos torna concorrentes mais fortes neste mundo de vagas curtas e de oportunidades escassas.