domingo, 11 de dezembro de 2016

Inativa

Fechei-me para obras. Sem orçamento para começá-las. 
Fechei-me e pronto. Um motivo sem aviso que condiciona a humanidade: Improvisar, desenrascar, inventar, criar. Não improviso, eu paro. Fico muda, surda, paralisada sempre que a vida me apanha de surpresa e obriga-me a fazer alguma coisa. Eu paro e contenho aquilo o que sinto emergir dentro de mim. Eu sou um insignificante átomo num cosmos que sobrevive sem mim. Porquê viver? Eu existo, mas para quê? Para ser feliz? Sempre achei a felicidade uma armadilha, faz-nos sacrificar tanto por algo que nem sabemos o que é. Ao nascer, cada um de nós é a felicidade de alguém, e nem temos consciência disso. Incutem-nos a obrigação de sermos felizes, como um propósito de vida, para nos controlarem. Controlam crenças, culturas, consumo, estruturas sociais. Somos um exército comandado pelos tolos que nos prometem a felicidade. Ninguém nasce para ser feliz! Sofremos desde o primeiro fôlego, porque começamos a sentir. Fechei-me para obras, porque sei que a minha vida não é para ser feliz. Vou sobreviver sem impor-me. Ser a felicidade de alguém é ter o poder sobre ela e eu não quero dar este poder a ninguém. 
Fechei-me para deixar de sentir e ser, finalmente, senhora de mim. 


terça-feira, 14 de junho de 2016

Viver, Abrandar, Evoluir

Na inquietação desmedida e descontrolada que me nega a paz que preciso e acende a chama que me queima, despertando para dar o salto para o outro lado antes de cair num abismo. Abro os olhos e nada é o que era nem como era. Será que eu ainda sou eu? Acordei do outro lado, a desconhecer tudo o que pensei conhecer. Não foi começar do zero, mas foi essa a sensação que me invadiu. Arriscar não é o plano B, arriscar é uma obra por conta própria sem garantia de lucro no final. Se a inquietação parou?! Ela corre-me nas veias. Construindo um futuro de minuto a minuto é algo que prende os pés de qualquer aluado ao chão. Sinto-me como pássaro fora da gaiola sem voar, mas cheguei à conclusão que esta sempre foi a minha meta, sair da gaiola e sentir-me confortável o suficiente para não fugir. É o livre arbítrio consciente. A liberdade sabe tão bem, mas isso não significa voar sem destino, muito menos a toda a velocidade. Tudo o que me rodeia é poético, o mundo fala-me numa linguagem que percebo e me identifico. Existe uma ponte a seguir a uma curva fechada e consigo vê-la da minha esplanada. Comparo a minha vida àquela curva, se um carro não diminui a velocidade é bem provável que se despiste e vá, diretamente, ponte abaixo. O mesmo se passa com a minha vida, se não abrando a queda pode destruir-me. Ai que drama, que sensível, que parva, mas feliz. Deste lado, a vida começa a fazer mais sentido, embora seja injusta, mas já há muito tempo decidi criar a minha bolha e dentro dela o meu mundo perfeito e justo. Esta inquietação persiste e não me autoriza a ser comum e como é bom ser diferente, mesmo que ninguém perceba. Eu queria mudar o mundo, mas se o fizesse não seria diferente de um ditador tirano, comecei a mudar-me a mim e qual é o mundo maior que cada um de nós?! Dá esse salto! A mudança é evolução. Evolui!   

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Sociedade do "Copy paste "

Supor é um hábito que a maioria adopta como um conhecimento legítimo esquecendo-se que é uma ideia hipotética de alguma coisa. É esta a sociedade em que vivemos, ou melhor, é a sociedade que eu conheço. Para quem tem jeito com as palavras e uma boa oratória é, de facto, muito fácil tomar certas hipóteses como factos. Não se iludem! Peço desde já que aumentem o vosso campo de visão. Há falta de assimilação da informação que nos chega. Deixem de funcionar como máquinas impressoras que servem para tirar cópias. Quando te limitas a fazer o que os outros fazem estás a "tirar uma cópia" e se continuares a fazer isso como podes evoluir? Fomos feitos para muito mais que isso. E como posso fazer passar esta minha indignação em palavras?! É sem dúvida uma frustração minha. Refiro-me aos dogmas e tradições que ninguém contesta abertamente. "É assim, porque sempre se fez assim!". Quando virá aquela geração que vê os erros dos antepassados e faz de maneira diferente? É estúpido não mudar, é indigno adoptar um determinado modelo de vida para não "fugir da linha". Quem o faz é de imediato identificado como uma mancha negra num pano branco. Eu quero tanto ser essa mancha e mudar a cor do pano. Quero criar o meu ideal de vida, quero discordar de livre e espontânea vontade sem ter medo de não ser aceite. Frequentemente os jovens são criticados por "quererem estar na boa vida" e não é para isso que todos se esforçam? para viverem uma boa vida?  Qual é o mal em querer fazer algo que nos completa, que nos faz feliz? Supõem vós que é mau por sermos novos demais? Valores ingratos desta sociedade que julga e não admite a mudança, por ser um atentado a um dogma. Estas verdades irrefutáveis comandam um exército de fotocopiadoras com a missão de tirar sempre a cópia da mesma página. Continuem a guardar o melhor para o fim que eu admito a minha ignorância, mas quero saber mais do que me ensinam. Um dia ainda escrevo uma página e talvez inspire alguém a fazer o mesmo e a desligar a impressora. Recuso-me a deixar as coisas boas para o fim e por isso, enquanto eu puder, irei sempre estar na boa vida e só me resta desejar-vos o mesmo.   

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Perder-te sem aviso...

Retiraram-me o fôlego e mesmo assim continuei a respirar. Consegues imaginar a agonia? 
A minha cabeça bombardeada com ideias de que isto não estava a acontecer, era um pesadelo, era mau demais para acontecer. A minha alegria morreu, não sinto nada, tudo deixou de fazer sentido...
A ideia de não voltar a vê-la, não voltar a ouvi-la e mesmo assim senti-la tão presente em mim. Revoltei-me, sim, de uma forma que nem sei explicar. Quero um abraço verdadeiro, um aperto de mão, um toque, não daqueles que andam a dar-me as condolências, mas dela que foi e não volta, dela que não volta a chamar por mim... Vivo dia após dia e, apesar dela não cá estar, ela está em tudo, vive no meu pensamento e não consigo desligar a lembrança dela e a crua realidade de não a ter. Lágrimas correm e eu nem sinto, até que elas param de correr, mas a tristeza permanece no meu coração. Sou uma pessoa forte, carrego a responsabilidade de colocar um sorriso nos lábios de minha mãe e em todos os que sofrem tanto quanto eu. Tenho a certeza de que foi amor, de que continua a ser amor e custa-me aceitar que aquele anjo que cuidou de mim desde pequena já cá não está... Sinto-me sem força, também sou humana e cheia de sentimento que agora me destrói. Quero ela de volta, quero sentir tudo de novo, quero poder dizer tudo o que eu não disse e ficou por dizer, mas nem todas as palavras, nem todos os beijos e abraços se comparam ao amor que eu sinto cá dentro e queria por para fora. Quero que ela saiba que eu a amei e sempre vou amar. Aprendi tanto com ela, mas não houve tempo para aprender como mostrar amor da maneira como ela me mostrava, sem palavras, sem cartas, mas com atitudes, com os seus gestos, com o seu olhar... Tudo nela era amor... Só espero que ela sinta que foi amada tal como eu senti o seu amor. 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

"A hipocrisia da minha geração dizer que não precisa da tecnologia para ser feliz"

Olá!
Sou uma hipócrita, como todos vós. Faço parte daqueles que criticam a dependência na tecnologia da comunicação como também sou dependente das mesmas. A influência das novas tecnologias tem um impacto instantâneo na sociedade e no comportamento. A forma de relacionar entre as pessoas assume padrões que também evoluem. Mas até que ponto esta evolução é produtiva?
A pergunta que me importa aqui é: Do que precisas para ser feliz? A felicidade sempre foi um conceito utópico. Só dependemos daquilo o que nos dá prazer, o que nos cria aquela sensação de bem estar que, numa fase extrema, pode ser entendido como um estado de felicidade. Posto isto, não posso deixar de pensar que o mundo encontrou a sua utopia nas novas tecnologias. Desde a invenção do código morse à criação do telefone fixo ao telefone móvel que agora é quase um computador ambulante. De fase em fase o objetivo seria encurtar distâncias e promover a comunicação. Mas o que fazer quando o fácil acesso à comunicação aumenta a distância entre as pessoas. Cafés, almoços e jantares, salas cheias de gente onde é raro o som barulhento das conversas, onde este som dá lugar ao silêncio de um companheiro muito importante nos nossos dias, o telemóvel. A companhia do século é o telemóvel.  A ideia utópica é o acesso à "wireless key", mais do que um pacote mensal para chamadas e mensagens, se bem que estas também são adesões com estatuto de prioridade, no fundo, o que importa é estar em linha. 
Sou uma viciada no telemóvel e nas redes sociais. Motivam-me a querer fazer mais, inspiram-me ter novas experiências na realidade, são uma fonte de partilha. Sou o tipo de pessoa que não dispensa um telemóvel que me permita aceder ao mundo e sinto que falta-me algo quando me esqueço dele quando saio. Mas não sou o tipo de pessoa que desvia um olhar, que evita uma conversa pessoal. Acho que o mundo devia usar as tecnologias da comunicação como um canal, um meio para se tornar próximo de alguém, para vincular uma relação, para manter o contacto e não como assistimos hoje em dia, quando atrás de um computador ou de um telemóvel são todos amigos, és famoso pelos gostos que recebes, onde falas abertamente numa janela de chat. Mas do que vale tudo isto se ao pores os pés fora de casa não consegues olhar para as pessoas na cara, não lhes dás um olá, não te sentas a conversar e estás só. Desliga a tomada e descarrega essas baterias ilusórias que te viciam em miragens, em reflexos de pessoas que não são reais. É no momento em que a bateria do computador acaba e quando te esqueces do telemóvel em casa que tu és tu e que deves mostrar o que vales. 
 "Não somos culpados pelo mundo que encontramos ao nascer. Mas precisamos, na medida de nossas possibilidades, fazer alguma coisa pelo mundo que está sendo construído (ou destruído) e que será herdado aos que hão de vir" Gilberto Cotrim.