Existem diversos olhares para a mesma situação e todos eles válidos pelo valor conquistado da liberdade de opinião. O olhar de um artista pode, ou não, ser compreendido, mas o que constitui uma arte e o que é uma arte? Quem atribui este estatuto é um avaliador? E quais as suas habilitações para este cargo? Estará ele acima da arte para avaliá-la? Não existem distinções de valores entre obras de arte a única classificação aceite é o valor máximo e incontestável. Todos temos um olhar crítico e avaliador acerca de toda e qualquer situação banal e extraordinária. A organização é imprescindível ao ser humano da mesma forma que temos a necessidade de guardar as roupas em gavetas também guardamos pessoas em gavetas catalogando-as. Uma menina da cidade quando passa numa freguesia remota deixa o seu cheiro como pegadas em areia que são seguidas pelos curiosos. Aos olhos de quem lá vive ela é uma novidade e até a sua saia justa, o seu decote ousado e o seu cigarro é sinal de novidade e reflexo dos progressos da cidade. Por outro lado, uma menina de freguesia no meio de uma cidade adopta hábitos, horários, stress, segue a moda, conhece novos pensadores, sai à noite e vai a cafés como qualquer outra menina da cidade, mas aos olhos da freguesia que a viu crescer o seu cheiro desperta coscuvilhice, a sua saia justa e decote abrem asas à imaginação das mentes tradicionais e todos os seus hábitos reflectem a sua leviandade. Facilmente catalogada. Desta forma vivemos numa sociedade que arruma nas suas gavetas quem bebe uma cerveja como alcoólico, uma mulher que beija outra mulher como lésbica, homens de mãos dadas são gays, um casal de amigos são namorados, quem tem tatuagens é drogado e quem tem carros "top" é traficante. Realmente há quem não saiba, minimamente, arrumar as suas gavetas. Seremos como qualquer avaliador de arte que está acima da obra que observa? Não estamos acima de ninguém! Todos temos olhares críticos e gavetas desarrumadas, mas tudo o que observamos é tão único e passageiro. Não esqueçamos que também somos peças arrumadas e quem nos arruma terá algum valor? A verdade é que todos somos avaliadores e todos somos peças de arte, mas a arte é aquela que permanece.
domingo, 6 de abril de 2014
Uma tela, uma obra literária, uma obra musical, uma gaveta...
Existem diversos olhares para a mesma situação e todos eles válidos pelo valor conquistado da liberdade de opinião. O olhar de um artista pode, ou não, ser compreendido, mas o que constitui uma arte e o que é uma arte? Quem atribui este estatuto é um avaliador? E quais as suas habilitações para este cargo? Estará ele acima da arte para avaliá-la? Não existem distinções de valores entre obras de arte a única classificação aceite é o valor máximo e incontestável. Todos temos um olhar crítico e avaliador acerca de toda e qualquer situação banal e extraordinária. A organização é imprescindível ao ser humano da mesma forma que temos a necessidade de guardar as roupas em gavetas também guardamos pessoas em gavetas catalogando-as. Uma menina da cidade quando passa numa freguesia remota deixa o seu cheiro como pegadas em areia que são seguidas pelos curiosos. Aos olhos de quem lá vive ela é uma novidade e até a sua saia justa, o seu decote ousado e o seu cigarro é sinal de novidade e reflexo dos progressos da cidade. Por outro lado, uma menina de freguesia no meio de uma cidade adopta hábitos, horários, stress, segue a moda, conhece novos pensadores, sai à noite e vai a cafés como qualquer outra menina da cidade, mas aos olhos da freguesia que a viu crescer o seu cheiro desperta coscuvilhice, a sua saia justa e decote abrem asas à imaginação das mentes tradicionais e todos os seus hábitos reflectem a sua leviandade. Facilmente catalogada. Desta forma vivemos numa sociedade que arruma nas suas gavetas quem bebe uma cerveja como alcoólico, uma mulher que beija outra mulher como lésbica, homens de mãos dadas são gays, um casal de amigos são namorados, quem tem tatuagens é drogado e quem tem carros "top" é traficante. Realmente há quem não saiba, minimamente, arrumar as suas gavetas. Seremos como qualquer avaliador de arte que está acima da obra que observa? Não estamos acima de ninguém! Todos temos olhares críticos e gavetas desarrumadas, mas tudo o que observamos é tão único e passageiro. Não esqueçamos que também somos peças arrumadas e quem nos arruma terá algum valor? A verdade é que todos somos avaliadores e todos somos peças de arte, mas a arte é aquela que permanece.
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