terça-feira, 8 de julho de 2014
"Solitatis"
Começo por dizer-vos que solitatis é saudade em latim, é um de muitos outros sinónimos que tenta definir um estado emotivo que funde o sentimento de perda, espera, solidão, melancolia, nostalgia e esperança. O corpo é uma jaula que aprisiona os sentimentos, mas estes sempre arranjam forma de um dia escapar e fazerem-se ouvir. Sentir saudade de quem se foi, na esperança de recuperar aqueles momentos, faz crescer uma vontade de explorar outras escolhas e onde estaríamos de fossem diferentes. Existe dentro mim alguém que tem coragem de fazer tudo aquilo o que o meu ser não consegue. Tu és aquele que sonhas, mas dentro de ti tens quem os concretizes. A chave está escondida algures e a sua descoberta vem sempre acompanhada por momentos que despertam a sua busca e implica uma viagem pelo mistério desconhecido, o inconsciente, e assim que é encontrada abre-se o cadeado que aprisiona aquele que te faz sentir a vida e realizá-la. Mas a saudade não é apenas um sentimento de vazio presente, saudade é a prova de que já foste feliz! O inconsciente guarda todas as nossas memórias que conduzem as nossas atitudes, sendo impossível guardar-las a todas e ter simultâneamente consciência delas. É neste armazém que muitos artistas se formam e onde muitos se perdem seguindo caminhos neuróticos. A saudade desperta através do amor, saudade acende por aquilo e por quem amámos, saudade nunca acaba, saudade bate no peito para poder sair, derruba as grades e encontra a saída pelos olhos que nada escondem, é fechar os olhos e ver. Saudade é ter consciência de que se teve tudo.
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