domingo, 27 de dezembro de 2015

A língua dos olhos

Nunca fui de levar as coisas muito a sério. Por um lado isso manteve a minha sanidade e impediu-me de focar em pequenos aspectos da minha vida e evitar a extensão dos meus problemas. Mas como conseguir essa frieza e escolher não acreditar em nada? Não fui oca o suficiente para impedir que a vida me enchesse de sonhos, ambições e da terrível expectativa, que faz questão de me beliscar e despertar para a gélida vida real. Tento mostrar indiferença ao que me importa, a quem me importa, represento bem, mas não consigo enganar-me. E dói. Sou a mulher que não pode, mas não a mulher que não quer. E querer dói. Ter dói, acreditar dói... Porque tudo isto é efémero. 
Não há coisa mais íntima do que captar a essência de uma pessoa. Cada pessoa têm a sua essência e eu faço parte de um número reduzido que valoriza o conteúdo das pessoas e eu apaixono-me pela substância humana que ninguém consegue esconder. Eu perco-me nesse estudo, num mundo intenso, que é paralelo ao teu que me lês, e crio teorias incompletas que te explicam. Será que cada pessoa vê o mundo à sua maneira ou serei eu que vejo tudo diferente? A minha mente é um salão repleto de ideias que dançam e rebolam, teorias que refutam e se ajustam a esse meu jeito de ver, aprender e conhecer. Tenho a estúpida mania de achar que sei muito, mas dou por mim numa impotência que me impede de agir mesmo sabendo o que me espera. Já tiveste aquela sensação bem forte, quase um pressentimento, de como as coisas não vão correr bem, mas tu ignoras e continuas? Não sou de ficar a pensar no que "poderia ter sido". Quanto mais me arrisco, mais me conheço. Foi nesse processo de auto-conhecimento que comecei por levar as pessoas a sério. Comecei por olhar-lhes nos olhos sem receios e conversar sobre tudo o que não é banal. Falar por falar, sair, passear. E eu que tinha tanto para dizer e ouvir, descobri que nenhuma palavra substitui um olhar. E foi neste instante que me apercebi que existe a língua dos olhos, ela fala sem sons e funciona como uma máquina da verdade (se a máquina da verdade fosse credível) e não nos deixa mentir. É uma língua que expõe e por essa razão não é fácil manter contacto visual com alguém por muito tempo. Mas eu não vou evitar, vou-te estudar. 
Cuidado com aquilo o que me dizes com os olhos, eles não mentem, nem os meus...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Sair dos outros para se encontrar no mundo




















Enche uma ilha com réplicas de ti. Conta uma história em cada canto que passas, faz um conto cheio de sorrisos, enche um dia com pessoas novas e nunca passes um dia sem desejar um bom dia a alguém. Escolhe uma pessoa qualquer, sorri-lhe ou então nem escolhas e sorri para toda a gente. O que é dar um pouco de ti? Dá-te inteiro, dá-te todas as vezes que partilhares o mesmo espaço e o teu tempo. Tudo seria mais saboroso se as pessoas descobrissem que o tempo que têm é a coisa mais preciosa que possuem, tudo seria razão de ser, tudo faria sentido e nada seria deixado por fazer. Faz tudo! Sê curioso, procura aprende e depois reproduz. A vida faz mais sentido quando produzimos algo. Ah e apaixona-te, sim encanta-te por uma paisagem, por um café, dedica um poema a uma casa, bebe com estranhos até chorar as tuas mágoas. Partilha! Cada saída com os outros é uma partilha, cada palavra que saí da tua boca é partilha, tudo é informação, tudo é comunicação. Sim, comunica, fá-lo com os olhos, com as tuas expressões, com o teu jeito de andar. Entrega-te quando falas e não deixes nada por dizer. Deixa sair pela boca aquela ideia que não pára na tua cabeça. Não te importes se não fores compreendido, mantém-te fiel a ti próprio. Gosta de ti, ama-te, comporta-te como a pessoa que mereces, como a pessoa que queres. Não precisas de alguém para sair, não precisas de alguém para sorrir, tens o mundo todo. Olha o mundo na cara e enfrenta-o com um sorriso.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Conclusão sofrida

E quando te dás por inteiro e não chegas?
Quando abdicas da tua vontade para veres sorrir quem amas e o seu sorriso é a recompensa que te deixa feliz. 
Quando lhe mimas e fazes-lhe todas as vontades, porque não lhe resistes. 
Quando lhe dás liberdade e incentivas para ele conquistar o mundo, porque ele merece o Universo.
Em que cada toque ou conversa dele te hipnotiza e desculpa qualquer confusão. Porque ele é mágico é um ser maravilhoso que só ele não consegue ver. 
Quando já não sabes o que mais inventar para lhe mostrar que o amas.
Ser faminta pela sua atenção, viciada no seu carinho, mendiga por uma conversa.
Tudo isto não significa nada, porque os seus olhos não brilham por ti.
Tudo isto não significa nada, porque o seu sorriso não é constante contigo.
Tudo isto não significa nada, quando sentes que ele é feliz em todo o lado e não contigo.
Todo este amor não vale nada, quando tu não amas comigo.
Saber o que é amar, quando o amor é coisa que não existe...    

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Nostalgia da Infância

Quando eu era pequenina tudo parecia ser maior do que eu. Descia as escadas a correr e deslizava, sem skate, de meias no chão ou até descalça e caía. 
Quando eu era pequenina caía tanto trambolhão, chorava, mas a seguir me ria. Tudo era uma brincadeira, dentro ou fora de casa, tudo o que eu queria era brincar. Não escolhia roupas, não me penteava e usava a maquilhagem da minha mãe apenas pelo Carnaval e Halloween. Eu dava tanto trabalho à minha mãe, mas ela adorava e hoje tenho certeza de que sente saudade. O meu Pai sempre foi o meu herói, nele eu via representado todos os heróis de qualquer história e eu sempre a protagonista de todos os desenhos animados. Ainda sei algumas das musicas dos filmes da Disney e ainda choro ao ver o Rei Leão. Quando eu era pequenina não gostava muito de bonecas nem de "barbies" adorava os brinquedos do meu irmão, a pista de carros telecomandados era muito mais divertida do que passar uma tarde a pentear os cabelos de uma boneca. Sempre gostei de pintar e mais tarde de fazer histórias. Adorava quando minha mãe lia um conto à noite antes de irmos dormir e até quando rezávamos juntos para adormecermos. Quando eu era pequenina eu rezava e cantava muito. Acreditava em tudo o que me diziam e não questionava nada. Quando eu era pequenina eu gostava de aventuras e saí de casa para explorar os arredores sem avisar a minha mãe e ela ia morrendo de preocupação. O dia nunca era suficientemente grande para fazer tudo o que eu queria. Um brinquedo em cada ida às compras, uma birra em cada loja para comprar roupa nova. Como as coisas mudam.
Cada Natal era mágico! Acreditava no Pai Natal (claro que era o meu pai) escrevia uma carta e fazia prendas de papel na escola para oferecer aos meus pais. A tradição sempre foi a ida à missa do galo e as prendas, mas na noite anterior minha mãe enchia meu cabelo de tranças bem pequeninas para desfazê-las no dia a seguir e ficar com o cabelo frisado, pronta e feliz para a missa com a roupa feita à medida na costureira. Minha mãe sempre foi tão linda e eu sempre lhe dei tanto trabalho. Recebi os patins e meu irmão uma bicicleta, mas parece-me que naquela altura o inverno era mais frio, mas nós tão felizes. Fotografias que marcam e não deixam esquecer. Há tradições que continuam e caminhos que devemos percorrer sempre com quem nos carregou nos braços, segurou pela mão nos primeiros passos e continua ao nosso lado sempre com os braços abertos para qualquer reconforto. Quando eu era pequenina eu era uma princesa num castelo gigante, mas eu não sabia. 
Já não sou pequenina, mas continuo a princesa do meu castelo.  

domingo, 1 de novembro de 2015

Lado Lunar

Lua cheia de fases,  apresentas tantas mas eu só vejo uma. Vejo-te como um todo solitária.  Há noites em que te procuro, porque sinto que só tu me entendes. Sou como o sol, porque ilumino sem lá estar, mas como invejo as estrelas por te terem como constante companhia. Sinto-te só, apesar de sempre acompanhada, ou será apenas o meu forte desejo de navegar para junto de ti? Acho que sou mais sensível na tua presença, para mim o mundo pára quando te olho. Será que me olhas de volta?! Só sei que qualquer momento banal na tua presença se torna especial. Já faz tempo que não te vejo,  mas não deixei de te procurar. Presenteia-me com uma das tuas fases,  afasta essas nuvens que te cobrem no negrume da noite,  pois o céu fica particularmente mágico quando tu te mostras presente.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

"Eu dou, porque sei o quanto custa querer"

Sou uma amante da lua que ama um pouco do caos que a vida dá.  Há poucas pessoas que me despertam aquela insanidade violenta que ninguém percebe nem compreende, mas é nela que me reconheço como verdadeira. Ao contrário da maioria das pessoas, eu tenho como principal interesse conhecer-me a mim própria e não aos demais que, por sua vez, passam curtas temporadas em minha volta. Para quem me lê, sabe que eu não resisto a uma boa aventura na busca de um suposto tesouro ou uma maravilhosa caminhada que me conduza ao paraíso. Exponho-me a determinadas situações para testar-me, para aprender comigo como sou e depois formar uma opinião intensamente íntima da minha própria pessoa. Sou a juíza legítima de mim própria. Sou arguida, acusadora e júri em simultâneo e a minha sentença é a mais justa por conhecer ambos os lados na íntegra tornando o meu veredicto irrefutável. Por mais que eu tente, forçosamente, abster-me em não envolver terceiros a verdade é que não sou excepção à condição humana de precisar de alguém. A certa altura todos precisamos de alguém e isto é um facto. Infelizmente não tenho a capacidade de distanciamento que me permita seguir em frente sem, efectivamente, criar ligações com as pessoas que eu precisei e até daquelas que já precisaram de mim. Quem me conhece sabe que tem uma quota parte de si em mim. Eu considero a partilha como o gesto mais maravilhoso que existe entre seres humanos. Partilhar uma história, um assento de autocarro, uma conversa, uma experiência, um banco, uma vontade, um sentimento... Em poucos minutos qualquer ponto em comum, por mais banal que seja, provoca um certo entusiasmo que, muito rapidamente, se transforma numa possível opção  "Sinto que te conheço desde sempre". Este conjunto de situações tão banais podem ser, ao mesmo tempo, tão raras e tem como ponto fundamental a conexão, inexplicável, que instantaneamente se apodera de mim e me abre portas para uma nova fonte de conhecimento que pode adicionar factos ou refutar os anteriores. Até ao momento, posso afirmar que tenho o péssimo hábito de me colocar no lugar das outras pessoas e dar-lhes aquilo o que eu desejava que me dessem. E estranhamente suponho que elas façam o mesmo comigo, a questão é que somos tão diferentes uns dos outros que o meu conceito de vida boa pode não ser o mesmo, nem o melhor, que o dos outros. Portanto, tenho de me livrar desse hábito antes que alguém se magoe. É estranho, mas aquela frase "Não faças aos outros aquilo o que não queres que te façam a ti" para mim funciona ao contrário, eu faço aos outros aquilo o que eu gostava que me fizessem a mim, sem exigir que mo façam.  
Acabo por conhecer-me com a ajuda daqueles que caminham e partilham comigo numa troca de experiências enriquecida com situações, acções e reacções instantâneas que refutam qualquer teoria baseada no senso comum. Consigo ser sempre surpreendida tanto pela positiva como pela negativa, mas apesar disso, não desisto das pessoas e assim nunca desisto de mim. Cada caso é um caso,mas eu acabo sempre dando o melhor de mim, porque sei o quanto custa querer... 
Resta-me sugerir-te, querido leitor, que faças esta pequena experiência de fazer aos outros tudo aquilo o que gostavas que te fizessem e assim dar por saber o quanto te custa querer.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

"Coisas doces"

Gosto de tanta coisa, mas que venham os doces!
Proporcionam-me fragmentos de alegria genuína. Na alegria ou na tristeza eles estão sempre lá para me mimar o paladar.  São sabores intensos que não devem passar de simples provas. Pequenas porções que satisfazem a cada pedaço que trincas.
São pequenos pedaços sem relevância aos que estão habituados a comer. Mas para aqueles como eu, que não exageram no prato para se deliciarem com a sobremesa, o doce é o prato esperado. Da mesma forma como um cavalheiro se despede do outro cavalheiro e só por último da "madame" para lhe poder reter mais atenção,  não de forma extrema, mas subtil. O mesmo se aplica ao sabor mágico em pequenas doses que tempos a tempos me mima. Quem nunca matou o seu desconsolo num chocolate?  Quem nunca comeu um gelado para se refrescar do calor? Alguém procura o açúcar para temperar o seu café? Eu sim, culpada de todas e de muitas mais.  Não sou gulosa e ainda não me chegaram os diabetes,  sou qb (quanto basta)  a não ser que goste muito,  mas com tanto vício delicioso em algum a gente há de pecar.  Há quem prefira os salgados,  outros se rendem à rapidinha do picante, que nunca aguenta ninguém por muito tempo, mas todos são válidos e saborosos. Sabores, provas, misturas em pequenas doses, sabores que nos acompanham e satisfazem. E aqui está o pedido: vai ser um prato de massa com queijo, uma dose de doce, meia dose de salgado e uma pitada de picante. Bom apetite!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Precipitação

Há coisas assim...
Há dias em que não te sentes nem te importas. Chuvas torrenciais e tu a andar ao mesmo ritmo com a cabeça a ferver como um areal num dia quente de verão, e tu nem sentes o peso da roupa encharcada.
Há momentos em que uma tempestade se acende cá dentro, quando se é invadido e bombardeado por pensamentos que bloqueiam a sensibilidade dos sentidos. Há uma luta interior que ninguém percebe, mas que a todos atinge. 
E depois há a vida social e o teu papel nela. Todos representamos um papel sabes?! A tua personagem é seres perfeito, agora esforça-te e sorri!
Chega um dia em que te fartas...
Até o tempo já não é o que era. As estações estão malucas a disputar os dias, mas há um elemento presente em todas elas,esta menina que a poucos agrada é a chuva, que aparece de várias maneiras. Eu disse "que venha ela!!" quero ter certeza de que sou frígida ou surpreender-me por não ser. Ao estar-se preparado ela pode ser uma dádiva, e eu estava farta e disposta a tudo. Ela veio e houve qualquer coisa de divino quando me tocou. Eu senti-a! Ela toca-me e limpa cada pensamento.  Tão leve como um orvalho numa noite em que todos dormem, enquanto eu aprecio corro e me abrigo. Ainda consigo sentir...Arrisquei e sobrevivi a mim mesma para poder viver. 
Não te acomodes, não te satisfaças com o suficiente quando podes chegar ao limite. Farta-te do suficiente e exige o limite!! Só assim é que se percebe, que por vezes, sentir a chuva é exactamente aquilo o que se precisa. Uma vida sem sentir é um estado de coma. Desliguem as máquinas ou fartem-se e sobrevivam para viver. 



terça-feira, 11 de agosto de 2015

Qual é o teu conceito de beleza?

Não vou dividir a minha opinião nem distinguir homens e mulheres em relação a este conceito. A beleza não tem género nem idade, não está identificada a nenhuma marca nem produto. Não está à venda, nasce e existe simplesmente. Parece parvo, mas a verdade é que a beleza está realmente dentro de cada um de nós. Por esta mesma razão é um conceito muito relativo e revogável. A minha visão parte do princípio de que todo o ser é belo. Sem existir o "quem é mais bela do que eu".  Há uma confusão constante entre o que está em voga e a beleza. As empresas conseguiram transformar o conceito de beleza em várias "poções mágicas", como cremes, maquilhagens, roupas, acessórios, e até estética, criando uma imagem exemplar de beleza que tanto homens como mulheres ambicionam. Infelizmente, são muitos os que acreditam, cegamente, que precisam destas "poções".
Não sou contra as empresas nem aos produtos de beleza, eu uso-os como qualquer outra pessoa, mas  faço-o para me mimar, para estar numa determinada linha de imagem que me agrada, mas ao contrário da maioria das pessoas tenho plena consciência de que são apenas uns extras desnecessários que não condicionam o meu ser. Tenho uma lamentável imagem de que há pessoas cujo objectivo de vida é ser um frio e oco manequim de montra ambulante. Mostram o que têm e mudam de estação em estação e só isso importa. Como é que um conceito tão abrangente concentra a maioria nesta finalidade de ter e mostrar. Secretamente, cada pessoa sabe e sente que é a mais linda do mundo, sem truques, sem sacos cheios de compras, sem ter que estar no último grito da moda. Ser belo é partir o manequim frágil da imagem, apanhar um pouco de sol para dar cor à pele. É estar na praia e chegar a casa com o cheiro do mar, é sorrir e olhar. Deixar de ser cego e ver que a beleza é uma questão de ser.
Este é o meu conceito, sem regras nem padrões a seguir.
Para mim, ser bondoso é ser belo.  

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A vida é um jardim

Afastada da minha rotina habitual, já há algum tempo, vejo-me focada em mim, na minha natureza,  nos meus pensamentos crenças e valores. Encontro-me no silêncio da sociedade onde as suas regras não têm jurisdição. Despi o meu papel de ator social e aqui estou eu e apenas eu. Comecei por tentar compreender-me e deixar de tentar compreender os outros. Não importa o que quero, mas sim como trabalhar com aquilo o que o universo planta na minha vida. Vivo num jardim e penso muito mais do que digo. Para quem pensa que me conhece engana-se,  sou muito mais do que uma imagem e queria dizer tudo o que penso,  mas há pensamentos inexplicáveis e que apenas fazem sentido na minha mente. Há coisas das quais não devemos ter conhecimento. A busca incessante pelos "porquês"  da vida é uma perca de tempo.  "Porque mudaste?",  "porque aconteceu aquela desgraça?",  "porque isso me está a acontecer?",  "porque te conheci?",  "porquê a mim?"...  Já basta o facto de acontecer.  Somos muito apegados aos acontecimentos do passado e tendemos a procurar uma razão. Não há razão e mesmo que houvesse, sabê-la não iria mudar os factos. Não quero saber o porquê. Quero avançar, seguir em frente, porque o tempo é o balão de oxigénio que um dia vai esvaziar. Por isso quero sentir o que tiver de sentir, fazer o que tiver de fazer, agir e reagir. A vida é um momento que não é avaliado por análise. Não há a escolha certa nem a errada há apenas escolhas, umas que nos correm bem e outras que nem por isso. Aprender a viver vivendo. A minha vida é um estado de espírito com o presente,  consciência do passado e sonho  no futuro.
Na sociedade tenho de ter para me manter. No meu jardim nada me pertence nem sou de ninguém e mesmo assim estou cheia de tudo porque eu sou minha e isso me preenche. E o que somos nessa vida senão um ser?!... O que deixamos nessa vida e o que levamos?! Ficam as histórias do que fizemos e levamos connosco tudo o que sentimos. Só isso importa.
Eu encontrei-me. Vejo o mundo de um ângulo onde eu pertenço. Meu coração palpita e quase pula do peito de tanto sentir. Não sei o que fazer, mas vou fazê-lo sem razões nem porquês. Sou feliz na minha inconstância, nem preciso explicar,  vou apenas ser. 
Encontra-te e vive!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O velório






Sentada no silêncio da solidão inspiro e expiro para sobreviver, com os olhos abertos, mas sem nada ver. Tenho a esperança ligada às máquinas. Sem perspectivas nem projectos, qual futuro?!
Deixei de lutar, deixei de acreditar, agora vivo adormecida, onde me encontro neste mundo de ilusões, nestes sonhos demorados onde encontro a minha doce utopia que me abandona sem se despedir sempre que eu acordo. Houve um corte de energia, não tenho gerador, a máquina desligou-se enquanto eu dormia e a esperança se foi.
 Adeus esperança, embora eu te forçasse a estadia sei que já cá não estavas antes de partires. Eu só queria ter-te por perto, sentir-te presente sempre que me surgia um obstáculo. Só tu esperança me davas coragem, agora eu sem ti faz de mim o quê?! 
Volta esperança, preciso de ti. Quero uma tempestade com trovões para que sejas atingida por um relâmpago e voltes a ter vida. Que estas lágrimas, que ninguém vê, sejam sentidas, porque não passo de um corpo a apodrecer. Vem devolver a minha alma, vem devolver a minha vida.
Descansa em Paz, mas depois vem ter comigo. 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Intenso demais para ser explicado



Intenso é ter-se tudo de uma só vez, numa confusão de metades que vão formando um todo incompreendido que é cada um de nós. Ou serei só eu?! Intenso pode ser um momento, um sabor, um som, um cheiro e até mesmo uma pessoa. O intenso vem, normalmente, de algo que não se está à espera. É uma sensação confirmada que não deixa dúvidas, embora seja de difícil explicação, pois é como um diamante em bruto, mas muito difícil de se tornar claro. É uma violência de excessos que agride quem a sente, numa força invisível absorvente de receios. É um conhecimento intuitivo, um conforto desconfortável  por não ter língua onde se expressar. O intenso é a potência máxima presente em diferentes formas por isso não o sentes sempre. Desperta aquele frenesim interno de querer fazer tudo. Intenso é um sonho acordado, é estar em movimento, não parar, ser impetuoso com as suas próprias dores e avançar sem descansar dando uso a cada músculo, a cada célula e vida a cada ideia. Sim, vamos tirar as ideias do caderno e contá-las a todos, partilhar com todos, pois o que importa é que a ideia ganhe vida mesmo que não sejas tu a dá-la, a semente foste tu que plantaste. Sê intenso, contagia, vive e não pares...  

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Pensamento do dia

Existe a organização do que se tem, a organização do que não se tem e se quer ter e ainda a organização do que se sente.Toda a vida somos impingidos com a ideia de que somos uma metade e que temos de encontrar a outra metade. Mais uma teoria que nos inferioriza e, indirectamente, nos chama de incapazes, insuficientes e incompletos...  Organizamos e procuramos sempre aquilo o que nos falta. Mas será que falta mesmo? Já ultrapassei esta teoria, e refuto todos os seus argumentos. Nascemos inteiros, completos, prontos para o mundo, para receber e reflectir o que o ele nos oferece. Não procuro ser completa, já o sou! Nem me dou ao trabalho de ir à procura de nada, porque tudo me encontra sem pressa, sem desculpa e as coisas apenas acontecem e vão acontecendo sempre. A procura da outra metade e a necessidade quase que absoluta de que a felicidade depende de achá-la é um placebo, vais deixar-te enganar?! Tudo requer paciência e tempo, mas não uma espera, nunca esperar. Agir, reagir, activar os sensores e usar o todo de cada um para ser e sentir-se parte do mundo. Medo? Num mundo tão grande e que nos pertence não há que ter medo, porque ninguém está sozinho. Atrever-se a viver sem esperar por nada, sem procurar algo ou alguém. Organiza a mente e o espírito direccionando-te a ti próprio. Dependes de ti, tens as tuas vontades, os teus sonhos, não precisas de nada que te complete. Organiza a tua mente, os teus desejos e concretiza-os. Não és metade, eu não sou metade, nós somos todos inteiros e completos. Explora-te e descobre a tua metade dentro de ti, ela está lá, esta é a única metade que tens de procurar, a que já existe dentro de ti. Liberta os outros da responsabilidade de te fazerem feliz, não te responsabilizes pela felicidade dos outros. Desprende-te das ideias retrógradas que já não fazem sentido. Encontra-te e sê feliz! 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Porquê Et cetera

Gosto de pessoas com história, pessoas que contam histórias pessoas que, muito certamente, vão fazer história. Não é preciso muito floreado, não é preciso uma grande obra nem um grande feito para ser contado, implica apenas que narre uma vida bem vivida e o que é uma vida senão a soma de vários momentos, pessoas e escolhas que nos conduzem a muitas aventuras? E o que é uma aventura senão uma experiência? E o que é uma experiência senão uma curiosidade esclarecida? Uma história é um acontecimento, exige uma acção, um principio um meio, mas nunca um fim, porque enquanto houver vida o protagonista mantém-se e as acções não param, desde o acordar até ao adormecer e que histórias não dariam os nossos sonhos... Mas, para já, vamos nos manter acordados. Vou-vos contar uma história e prometo ser breve. Contar histórias verdadeiras faz-me reviver cada segundo do passado e resgatar alguns dos sentimentos já sentidos. Não vou começar com o tradicional "Era uma vez...",  mas já comecei a contá-la antes de iniciar esta. Foi numa tarde normal como tantas outras,  uma aula de apresentações de trabalhos que tudo indicava que seria uma "seca" como tantas outras.  Ficar fechada numa sala ao final de uma linda tarde de sol assistindo à apresentação de trabalhos de colegas só para não ter mais um risco na folha de presenças. Foi nessa aula e com total desinteresse que subitamente fez-se um "click" num trabalho que me apresentou a facilidade de se criar um "blog"  fiquei encantada,  interessada e o euforismo foi tal que após a aula fiz o trabalho de casa que não tinha, e se tivesse não era meu costume o fazer,  fui ao YouTube segui todos os passos e criei Et cetera.  E porquê esse nome?!  A vida é composta por etc ou por reticências que não contamos.  Esta é a essência que escrevo.  Aquilo o que à partida todos já sabem,  mas que aqui deixo em foco.
To be continued...

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Eu consigo

Eu escrevo para sentir-me perto de mim. 
Escrevo para ti que és parte de mim, escrevo para todos os que me querem ler. Sou uma parte de todos, porque todos os que me rodeiam tocam-me na alma sem se aperceberem. Sou uma soma de vidas, composta de histórias, experiências, gostos e desgostos. 
Sentia-me frígida, apática e acreditei que ia conseguir não sentir nada. Acreditei, realmente, que nunca mais ia conseguir sentir de verdade, nunca mais ia conseguir chegar ao limite, nunca mais ia conseguir aquele calor no peito,sentir o meu batimento cardíaco acelerado, a pele arrepiada, aquele sorriso estampado na cara sem me aperceber que o tinha. Vivi num sufoco, a segurar o fôlego, a fingir que tinha o que não tinha a ser o que não sou e a sentir o que eu não sentia. Mas finalmente respirei. Basta de segurar o fôlego. Decidi ser o meu próprio vicio, quero viciar-me em mim, ser para mim, ser por mim. A realidade é que não posso isolar-me em mim, não me posso isolar de mim quando sei que posso ser muito mais, consigo fazer muito mais, consigo explodir de tanto ser e sentir que contagio todos os que me rodeiam. Que a minha inspiração seja a tua e que tu sejas a minha. Olha-te de manhã ao espelho e repete com convicção "Eu quero, eu posso, eu consigo" até acreditares. O desafio não é convenceres os outros, mas a ti próprio. Somos os nossos próprios entraves. São os nossos medos, os nossos receios, as nossas incertezas que, muitas vezes, nos impedem de chegar à meta e conseguir. 
Não consegui ainda, estou num caminho para a meta estou a convencer-me de que todo o mundo cabe dentro de mim e que pertenço ao mundo, que quero, posso e consigo.
Tu tens de querer, poder, conseguir!!
Convence-te.  

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Respeito

Sou um ser complexo e não nego. 
À primeira vista tudo me agrada, mas depois nada me satisfaz, tento sempre subir mais, conseguir mais, ter mais e perco-me na minha exigência, porque no fundo ninguém é como eu espero, nada é como eu espero, não consigo ter o que quero e não sou o que tanto anseio ser. 
Perdi-me em mim e não paro. Tento ser simples, mas descobri que até a simplicidade é relativa. O que é ser simples senão baixar os braços e não lutar pelos seus sonhos, ser simples é desistir, deixar de viver e sobreviver. Não sou revolucionária, nem feminista, tão pouco tenho a mania da superioridade. Esforço-me intensamente pela Igualdade e pelo Respeito, mas no mundo estes dois valores parecem uma utopia, dois valores tão simples, mas tão complexos e difíceis de serem adotados. A sociedade é o centro da dicotomia entre a moral e o imoral que regulam o comportamento das pessoas, são estas convenções estabelecidas dos "bons costumes" que fazem a distinção entre o "bem" e o "mal" e bombardeiam o consciente de cada pessoa impedindo-lhes de fazerem o que realmente querem e gostam para não serem discriminadas e catalogadas como pessoas imorais. Mas até a moral é relativa e varia entre culturas. 
A verdade é que não posso mudar o mundo, nem a sociedade em que vivo. Também não vão ser um conjunto de regras pré-estabelecidas que me vão fazer pesar a consciência, muito menos deixarei de fazer o que quero, o que gosto e dizer o que penso. Muitos conflitos começam aqui. Não é uma questão de querer chamar a atenção, não é questão de sobressair, não é uma questão de querer passar à frente de ninguém. É uma questão de ter direito a ser feliz sem as amarras da sociedade, é fazer parte da sociedade mas não depender dela muito menos dever-lhe explicações nem desculpas. É apresentar as nossas ideias sem atacar as ideias dos outros, fundamentando as nossas. É ter uma cultura e respeitá-la tanto como qualquer outra. É ser-se cidadão do mundo sem os extremos do patriotismo, estar disposto a ouvir e conhecer novos costumes. O respeito é a assinatura que precisamos para ter um "cartão verde" que nos abra todas as portas. 
Eu respeito, por isso sou um ser complexo e não nego.
  

domingo, 3 de maio de 2015

Noites produtivas

Existem noites estranhas e para um bom observador nada do que se passa fica sem registo. Quem pode julgar um artista que transforma a sua arte em produto consumível para as massas? Em tempos de crise há que recorrer ao engenho e ser criativo, mas a sua arte não perderá valor? Quem pode criticar um cantor de rock quando este é pago para cantar musica pimba?! Se a sua voz é um camaleão melhor ainda, tem mais portas abertas. A vida mostra que o trabalho e o lazer não podem ser indissociáveis. São demais as vezes em que na vida fazemos aquilo o que não gostamos. Nestas horas temos de aprender a sorrir. Colocamos toda a esperança na juventude, mas não nos podemos esquecer dos mais velhos, estes são os pilares que sustentam a esperança da juventude. Tal como os jovens, os mais velhos também aprendem e evoluem, mas estes tem a grande vantagem a da experiência e credibilidade quase que instantânea que os mais novos não herdam tão facilmente. Há que apostar nos mais velhos, são eles a fonte de alimentação cultural, são eles que impulsionam as revoluções, são eles que guiam os mais novos e lhes mostram infinidades de caminhos e escolhas. 
Em qualquer noite banal desviamos o olhar de tudo o que não precisamos.  Realmente só vemos o que precisamos, o que queremos e quando a necessidade é muita até um quiosque ambulante de cachorros e hamburgers se tornam as coisas mais importantes do mundo. É especialmente em noites de festa e às tantas da madrugada que começa esta busca. Todas os vendedores já sabem as horas de maior movimento. Quantas vezes passamos por eles, mas não os vemos. Quem de nós se recorda das suas caras ou alguma vez deixou gorjeta?! Preparam-nos a comida a um preço muito mais reduzido embora muito mais bem servidos e o contacto é mínimo "O que é que vai ser?" dizem eles e nós ficamos a olhar, muitas vezes a reclamar da fumaça dos grelhados ou fritos e finalmente pagamos e andamos. "Quem é que está a seguir?" Aposto que eles preferiam estar no lugar de clientes. Mas o cliente gasta e o vendedor ganha, acho que está justo. Há que reconhecer um bom serviço por isso estou ponderando em deixar-lhes gorjeta. Ainda me lembro em alturas de festas o quanto feliz eu me sentia quando os meus avós me davam os "troquinhos" para um gelado e quantos gelados valiam aquelas moedinhas. É preciso relembrar como é bom receber para tomar o gosto de como é bom o sabor do dar. Bem e é neste espírito de início de festas tradicionais, regionais, religiosas e até festas pagãs que escrevo. Que o positivismo de uma música te faça cantar, que o batuque da próxima música faça dançar os teus avós, os teus pais, os teus primos e que depois de cansado te sentes a observar a noite e termines num quiosque a comer e a dar uma gorjeta.   

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Alerta de exposição extrema

Esta facilidade de comunicação, hoje em dia, está a transformar a sociedade e as próprias relações sociais. O mais preocupante é a alta exposição de informação privada que qualquer pessoa dispõe num simples e recorrente preenchimento de formulário. E como se isso não bastasse ainda nos sugerem, periodicamente, para atualizar o nosso perfil. Sim, estou a referir-me ao facebook, que é uma rede social que eu uso muito, mas que expõe os mais distraídos. Atenção é requerida. Uma ferramenta mal usada não constrói só estraga. É uma rima de alerta! Esta rede social encurtou distâncias e com muita facilidade encontras quem procuras e também és encontrado. Mas quando um pedido é aceite e uma janela de conversa se abre o que é que tu fazes? Se a mensagem é de um amigo é fácil respondes ou ignoras e se não for? dás um olá a outro olá?! E quando dás por ti não tens uma janela, mas quase um livro de conversa e o desconhecido ficou conhecido?! É muito fácil a comunicação, o que aumenta o risco de uma exposição ainda maior. É muito bom conhecer pessoas novas desde que estabeleças um limite e não te coloques em risco. Abres a tua página que te pergunta todas as vezes em que estás a pensar e se realmente não estás a pensar em nada tens várias opções de escolha que te permite expor desde como te estás a sentir até ao que estás a fazer. Permite ainda colocar fotografias e identificar onde estás e com quem estás e ainda podes escrever uma legenda para acrescentar mais informação. Tens no teu perfil o registo das páginas que gostas, dos sítios que já foste, dos livros que já leste dos filmes que já vistes. Qualquer desconhecido aceite é recebido como um verdadeiro amigo que já sabe muito mais de ti do que aquilo o que tu pensarias contar. Antes de uma janela de conversa aberta há uma pesquisa de ambos os lados, uma primeira impressão que deixa qualquer um mais do que minimamente esclarecido. As ligações estabelecem-se quando existe muita coisa em comum e um desconhecido torna-se num amigo de um dia para o outro. Conheces uma pessoa e descobres quem lhe é próximo dando uma vista de olhos nos comentários. Querem mais? Sim há muito mais... Quem observa tem o poder em quem está a ser observado. O Panóptico consiste num conceito de vigilância onde os observados são expostos e o observador não. A dúvida deste controle é constante, mas não forte o suficiente para romper com esta negligência e impor a sua privacidade. 
Este comportamento em relação aos meios de comunicação instalou-se tornando normal a exibição pessoal. Isto tudo, que é um mundo com escolhas infinitas, leva a uma determinada alienação da realidade e está estampado por todo o lado, mas todos escolhemos não ver os cafés com mesas cheias, mas mais silenciosas onde cada um vive agarrado a um canal de ligação virtual.
O virtual deve ser uma alternativa. 
Se as imagens e as palavras escritas te enchem de emoções, se os gostos e visualizações te fazem feliz, deixa-me que vos diga que tudo isto é a ponta de um ice berg, pois na vida real um contacto visual, as palavras ditas ao som de uma voz, um toque, um abraço podem dar-te uma overdose de emoções e felicidade. Não morres, renasces! 

quarta-feira, 18 de março de 2015

Quando e como? Eles escolheram...

É uma questão de saúde pública.
É uma questão individual e de extremo isolamento onde não há esperança?! Sei que surte um impacto que abrange e até fere a sensibilidade de quem nem os conhece. É uma questão profunda e, apesar dos estudos realizados, a resposta ao "porquê?" fica sempre por responder. A maioria das pessoas chama-os de corajosos, por ser impensável e quase impossível de cometerem o mesmo ato. Não aceito que se chame a isto coragem. É, sem dúvida, a única decisão que compete apenas a quem a comete, é um ato de liberdade no seu estado mais cru. Na minha opinião, que sou uma apologista à liberdade, tomo uma posição contra qualquer tipo de violência, especialmente esta que põe um ponto final à sua própria vida e veto esta liberdade extrema. Confesso que esta é a única excepção, a única proibição, é uma liberdade que nunca devia ser tomada. A humanidade não tem o elixir da juventude, e a imortalidade existe apenas nos filmes, porque na vida real, todos temos a mesma certeza, a de que vamos morrer. Ninguém sabe quando nem como, mas há quem escolha quando e como. Podia especular razões, podia até criticar, mas eles não estão cá para se defender, mas partiram e deixaram-nos a pensar. Deixam dor a quem fica e mantêm-se os problemas, mantêm-se as dificuldades, ficam os "porquês" por responder. Nunca ninguém vai saber o que se estava a passar, a não ser que deixem uma explicação.O impacto do nosso comportamento e das nossas conversas pode surtir graves consequências e nunca chegamos a saber realmente o que é que se passa na cabeça do outro. As coisas mais simples podem parecer inofensivas, mas quando nos focamos nelas, estas podem enlouquecer-nos. O corpo, a postura, o sorriso são distracções que confundem e muitas vezes iludem para  afastar-nos do real, nunca nos deixando aproximar da verdade. Há verdades tão pessoais que devem manter-se privadas. Há quem não consiga viver com as verdades como também há quem prefira viver iludido, mas feliz e há ainda quem tome consciência das verdades, viva segundo as suas consequências e mesmo assim consiga ter momentos de felicidade. A verdade do mundo não trás felicidade, e tudo o que vemos, vivemos, sabemos, afecta-nos, pois as desgraças da humanidade não nos são indiferentes. As dificuldades da vida transformam-nos... Este foco excessivo em tudo o que nos torna infelizes, em todo o mal e todo este sentimento amargo deprime e sufoca qualquer pessoa. É preciso reconhecer que não se está bem, é preciso falar, é preciso ouvir... Um sorriso teu a qualquer desconhecido pode trazer alguma luz e esperança no seu desespero. Nunca deixem nada por dizer nem por fazer, porque este instante pode ser a tua última oportunidade.
"Porquê...? Eu estava aqui..." É o que prende qualquer conhecido... Quem fica recupera? Com o tempo recompõe-se, mas de certeza que nunca esquece e o foco será para sempre nos melhores momentos... 
Força a todos os que já perderam.
Em memória daqueles que decidiram como e quando...

sábado, 31 de janeiro de 2015

Independência

Ter emprego fixo e remunerado, não ter que dar satisfações a ninguém ter consciência dos limites e assim fazer tudo o que quiser. Ser independente é saber estar sozinho e sentir-se feliz assim. Anseio pela independência, mas assusta-me estar sozinha. Estou faminta por um carinho verdadeiro,por um ato sincero sem obrigações, não por um dedo, mas por uma mão de conversa. Meu sorriso sempre foi tão fácil de aparecer e agora ele desapareceu, não o encontro. Ele deu lugar às lágrimas que correm sem motivo. Dei por falta de algo muito importante. As palavras são as mesmas, mas parecem-me ocas sem sentido, sem peso, vazias. Falta a confiança platónica que roubou todas as minhas certezas. Como posso ser independente? Quero mesmo ser independente?  Passei pelo controle excessivo e agora pelo desprendimento. Atirei-me de um avião e não sei abrir o pára-quedas. Estou a cair, mas a sentir o ar que não me segura e a ver em pleno o chão para onde me despenho.Vivo de emoções e é experimentando que se descobre o que se quer. Quero sentir tudo de olhos fechados, mas não posso. Primeiro tenho de restabelecer as certezas e reencontrar a confiança. Se quero ser independente?! Sim, mas à minha maneira.