sábado, 27 de dezembro de 2014

Quero saltar da lua e cair no chão

A tristeza encontrou-me! Eu fugi daquela felicidade que me enchia o coração e me iludia a cada dia, sim eu fugi e depois neguei-lhe na cara. Recusei todo o tratamento que me podia fazer sentir especial, mas mesmo assim tocou-me o coração. Tudo é efémero e esta tristeza que me agarrou nos ombros e me olhou nos olhos, um dia vai desaparecer. Aquele ditado "quanto mais alto subires maior é a queda" faz-me não querer subir muitos degraus. Há quedas que nos desmembram e eu não quero desmoronar mais uma vez. Um pouco de mim se vai e a cada perda torno-me menos humana e mais uma representação de mim própria que a pouco e pouco vai-se desgastando e perdendo o sentido até se tornar num objeto. Cada encontro é uma despedida, porque tudo acaba e pouco fica. Nada sei sobre o que quero, mas sempre certa daquilo o que não quero. Combato a rotina e descalço as meias para sentir o gélido chão que me sustenta e, como um gato escaldado que tem medo de água fria, acanho-me e tendo a não experimentar com medo de mais um trambolhão. Todos já caímos do último andar de um arranha céus, mais cedo ou mais tarde ficamos em coma e renascemos. Decorei o significado de cada cicatriz para não voltar a cometer os mesmos erros, mas desafiei os meus medos e continuei a acreditar, erro este que eu nunca aprendo e sempre cometo. Apercebi-me que tenho mais receio de ficar presa a tudo o que conheço do que sair acreditar e cair no chão, mas conhecer, aprender, descobrir... enfim, viver! 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Sentido precário...discurso incompleto

Convido a desviar o olhar destas meras palavras ocas para muitos, mas que a mim entornam o pote de tão cheias. Este pote que é o tempo, e tudo o que ele carrega, faz-me partilhar sem hesitar, pois somos clones uns dos outros, ou melhor, temos algumas fracções em comum que capturam momentos que não são inédito, o que me leva a revelar-vos que ninguém é especial. Ninguém tem uma história só sua e muitos vão conferir que as relações que estabelecem com os outros começam por , maioritariamente, ter algo em comum e com o grau de proximidade de histórias de vida "Eu identifico-me com a tua história, já vivi algo assim, sei exatamente como te sentes" querido leitor, nunca disseste nada do género? Bem eu já, e desde então tenho vindo a vincular laços daquilo a que chamo amizade. A vida escreve uma história que vai, repetidamente, se estreando com personagens diferentes. Com melhores e piores interpretações, com direito ao improviso que decide os finais felizes e os tristes, mas sempre com o "full house" que cada estreia merece. O nosso público está em todo o lado e confesso que mesmo quando estou só imagino o público presente algures, sinto-me observada e nunca deixo de representar o meu papel. Não gosto de estar no "spot line" eu paraliso e é como tenho estado, paralisada, sufocada, angustiada. Aquele momento em que boa gente deposita grandes esperanças em ti, mas tu te apercebes que afinal não és assim tão bom como pensavas e duvidas de ti mesmo, aliás, nem tens a certeza se é este o caminho que queres seguir?! Sim paralisas! É fácil ceder, mas difícil começar do zero e construir novas bases... Momento reflexivo que me faz puxar um baralho de cartas e expor o meu jogo na mesa, vou ganhar ou perder?