segunda-feira, 25 de maio de 2015

Eu consigo

Eu escrevo para sentir-me perto de mim. 
Escrevo para ti que és parte de mim, escrevo para todos os que me querem ler. Sou uma parte de todos, porque todos os que me rodeiam tocam-me na alma sem se aperceberem. Sou uma soma de vidas, composta de histórias, experiências, gostos e desgostos. 
Sentia-me frígida, apática e acreditei que ia conseguir não sentir nada. Acreditei, realmente, que nunca mais ia conseguir sentir de verdade, nunca mais ia conseguir chegar ao limite, nunca mais ia conseguir aquele calor no peito,sentir o meu batimento cardíaco acelerado, a pele arrepiada, aquele sorriso estampado na cara sem me aperceber que o tinha. Vivi num sufoco, a segurar o fôlego, a fingir que tinha o que não tinha a ser o que não sou e a sentir o que eu não sentia. Mas finalmente respirei. Basta de segurar o fôlego. Decidi ser o meu próprio vicio, quero viciar-me em mim, ser para mim, ser por mim. A realidade é que não posso isolar-me em mim, não me posso isolar de mim quando sei que posso ser muito mais, consigo fazer muito mais, consigo explodir de tanto ser e sentir que contagio todos os que me rodeiam. Que a minha inspiração seja a tua e que tu sejas a minha. Olha-te de manhã ao espelho e repete com convicção "Eu quero, eu posso, eu consigo" até acreditares. O desafio não é convenceres os outros, mas a ti próprio. Somos os nossos próprios entraves. São os nossos medos, os nossos receios, as nossas incertezas que, muitas vezes, nos impedem de chegar à meta e conseguir. 
Não consegui ainda, estou num caminho para a meta estou a convencer-me de que todo o mundo cabe dentro de mim e que pertenço ao mundo, que quero, posso e consigo.
Tu tens de querer, poder, conseguir!!
Convence-te.  

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Respeito

Sou um ser complexo e não nego. 
À primeira vista tudo me agrada, mas depois nada me satisfaz, tento sempre subir mais, conseguir mais, ter mais e perco-me na minha exigência, porque no fundo ninguém é como eu espero, nada é como eu espero, não consigo ter o que quero e não sou o que tanto anseio ser. 
Perdi-me em mim e não paro. Tento ser simples, mas descobri que até a simplicidade é relativa. O que é ser simples senão baixar os braços e não lutar pelos seus sonhos, ser simples é desistir, deixar de viver e sobreviver. Não sou revolucionária, nem feminista, tão pouco tenho a mania da superioridade. Esforço-me intensamente pela Igualdade e pelo Respeito, mas no mundo estes dois valores parecem uma utopia, dois valores tão simples, mas tão complexos e difíceis de serem adotados. A sociedade é o centro da dicotomia entre a moral e o imoral que regulam o comportamento das pessoas, são estas convenções estabelecidas dos "bons costumes" que fazem a distinção entre o "bem" e o "mal" e bombardeiam o consciente de cada pessoa impedindo-lhes de fazerem o que realmente querem e gostam para não serem discriminadas e catalogadas como pessoas imorais. Mas até a moral é relativa e varia entre culturas. 
A verdade é que não posso mudar o mundo, nem a sociedade em que vivo. Também não vão ser um conjunto de regras pré-estabelecidas que me vão fazer pesar a consciência, muito menos deixarei de fazer o que quero, o que gosto e dizer o que penso. Muitos conflitos começam aqui. Não é uma questão de querer chamar a atenção, não é questão de sobressair, não é uma questão de querer passar à frente de ninguém. É uma questão de ter direito a ser feliz sem as amarras da sociedade, é fazer parte da sociedade mas não depender dela muito menos dever-lhe explicações nem desculpas. É apresentar as nossas ideias sem atacar as ideias dos outros, fundamentando as nossas. É ter uma cultura e respeitá-la tanto como qualquer outra. É ser-se cidadão do mundo sem os extremos do patriotismo, estar disposto a ouvir e conhecer novos costumes. O respeito é a assinatura que precisamos para ter um "cartão verde" que nos abra todas as portas. 
Eu respeito, por isso sou um ser complexo e não nego.
  

domingo, 3 de maio de 2015

Noites produtivas

Existem noites estranhas e para um bom observador nada do que se passa fica sem registo. Quem pode julgar um artista que transforma a sua arte em produto consumível para as massas? Em tempos de crise há que recorrer ao engenho e ser criativo, mas a sua arte não perderá valor? Quem pode criticar um cantor de rock quando este é pago para cantar musica pimba?! Se a sua voz é um camaleão melhor ainda, tem mais portas abertas. A vida mostra que o trabalho e o lazer não podem ser indissociáveis. São demais as vezes em que na vida fazemos aquilo o que não gostamos. Nestas horas temos de aprender a sorrir. Colocamos toda a esperança na juventude, mas não nos podemos esquecer dos mais velhos, estes são os pilares que sustentam a esperança da juventude. Tal como os jovens, os mais velhos também aprendem e evoluem, mas estes tem a grande vantagem a da experiência e credibilidade quase que instantânea que os mais novos não herdam tão facilmente. Há que apostar nos mais velhos, são eles a fonte de alimentação cultural, são eles que impulsionam as revoluções, são eles que guiam os mais novos e lhes mostram infinidades de caminhos e escolhas. 
Em qualquer noite banal desviamos o olhar de tudo o que não precisamos.  Realmente só vemos o que precisamos, o que queremos e quando a necessidade é muita até um quiosque ambulante de cachorros e hamburgers se tornam as coisas mais importantes do mundo. É especialmente em noites de festa e às tantas da madrugada que começa esta busca. Todas os vendedores já sabem as horas de maior movimento. Quantas vezes passamos por eles, mas não os vemos. Quem de nós se recorda das suas caras ou alguma vez deixou gorjeta?! Preparam-nos a comida a um preço muito mais reduzido embora muito mais bem servidos e o contacto é mínimo "O que é que vai ser?" dizem eles e nós ficamos a olhar, muitas vezes a reclamar da fumaça dos grelhados ou fritos e finalmente pagamos e andamos. "Quem é que está a seguir?" Aposto que eles preferiam estar no lugar de clientes. Mas o cliente gasta e o vendedor ganha, acho que está justo. Há que reconhecer um bom serviço por isso estou ponderando em deixar-lhes gorjeta. Ainda me lembro em alturas de festas o quanto feliz eu me sentia quando os meus avós me davam os "troquinhos" para um gelado e quantos gelados valiam aquelas moedinhas. É preciso relembrar como é bom receber para tomar o gosto de como é bom o sabor do dar. Bem e é neste espírito de início de festas tradicionais, regionais, religiosas e até festas pagãs que escrevo. Que o positivismo de uma música te faça cantar, que o batuque da próxima música faça dançar os teus avós, os teus pais, os teus primos e que depois de cansado te sentes a observar a noite e termines num quiosque a comer e a dar uma gorjeta.