terça-feira, 26 de agosto de 2014

Igualdade Feminina



Um copo mais cheio do que o outro não apresenta igualdade. Admito dois copos do mesmo tamanho, em que um esteja mais cheio do que o outro, como iguais. Seres com capacidades diferentes, com utilidades diferentes, com anatomia diferente, com gostos e desejos diferentes. São duas peças fundamentais, que sem uma delas, a máquina pára, deixa de funcionar. Nascemos da mesma forma e findamos sem escapatória. Mas o que realmente me interessa é o que fica a meio, entre o começo e o fim. Entre homens e mulheres, querer ter o que o outro tem é guerra e ficar com aquilo o que o outro tem é morte. O estabelecimento da igualdade não exige disputa, exige respeito, humildade e reconhecimento. Se ambos fazem a máquina funcionar, porquê fazê-lo acorrentados quando podem dar ao mãos? Porquê a tendência de soltar a mão para poder ter menos peso e subir no balão com mais rapidez, quando ambos podiam construir um avião e voar ainda mais alto? Para desgosto de alguns, o mundo não é dos homens nem das mulheres. A sociedade não pertence a homens nem a mulheres. O mundo é governado pela Natureza e pela Humanidade e sobreposta a esta realidade existe a sociedade, que se multiplica em diversas, e pertence aos Costumes e Valores. É na sociedade, é nos valores, na ambição, no materialismo, que se encontra o fungo. Aquele gostinho que outrora tivemos do poder absoluto fez ninhos algures e o muito que sabemos é pouco do que realmente acontece. E não tão longe, podemos encontrar aquele que não consegue controlar uma nação, mas que exerce o seu poder sobre uma mulher. Covarde o homem que se acha superior a uma mulher. Apesar dos infindáveis obstáculos, nós mulheres, conseguimos ultrapassar as barreiras e conquistamos aquilo que já nos pertencia. 
Vivo num meio em que o único obstáculo que existe é a minha própria mente que decide viver consoante os meus valores ou viver correspondendo aos valores da sociedade que tanto julga. Tenho o privilégio de poder escolher e as consequências pouco me arranham. Mas também tenho noção de quem não tem escolha, uma vergonha para a humanidade, que joga, usa e abusa da vida das mulheres, retirando-lhes o último fôlego sem hesitar. Usos e costumes entranhados, que durarão até ao fim do mundo. A igualdade feminina é uma ilusão, o sonho é torná-la realidade. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Rotina! Sim ou não?




Quando vemos um filme mais do que uma vez o seu factor surpresa, o botão da curiosidade e aquele arrepio na nuca que nos molha os olhos deixam de existir. As gargalhadas ficam mudas depois de ouvir as mesmas piadas, o suspense com um arregalar de olhos num filme de terror dá lugar a risos e há busca de erros, que tornam ridículo o factor inicial do susto e do medo. A atenção é interrompida com distrações superfulas e, em casos extremos mas frequentes, funciona como uma canção de embalar para adormecer. Adormecemos em posições desconfortáveis e acordamos cheios de dores. Ah, filmes que se repetem sem conta, oh dias que já não passam de clones. Vidas como impressoras que imprimem 365 cópias da mesma folha e onde se perdem as originais. Cores gastas passando a preto e branco, perdeu-se o brilho vivem-se as horas e após as vinte e quatro imprime-se mais uma cópia da mesma folha, cada vez mais gasta que parece cansada, quase já nem se vê. Muda os tinteiros, dá cor às tuas folhas, salta por cima dos obstáculos e pinta por cima, pinta com as tuas mãos e não deixes que uma máquina te controle. Cria novos desenhos, explode com cores, evita as repetições, deixa de dormir, deixa de estar cansado e vive! Pinta a própria impressora, usa cores vivas, cores que te alegrem, cores, cores, cores, muitas cores misturadas. Grava o teu próprio filme, captura as tuas próprias imagens, deixa de ser dependente da mecanização, deixa de ser escravo da indústria. Rotina como, se há tanto para experimentar? Não deixes que a rotina te conduza, saí do assento, saí desse transporte que só conhece um percurso. Caminha e explora, pois novos caminhos, novas vistas, novas cores, cheiros e sabores estão por ai, só tens de te levantar.