Et cetera
sexta-feira, 19 de abril de 2024
Uma ferida aberta na alma que ainda sangra
sábado, 24 de setembro de 2022
1c0n3
domingo, 20 de março de 2022
Psstt
sábado, 22 de janeiro de 2022
O meu lindo malcriado
O meu filho
Começa o dia a mostrar-me os dentes todos no meio das suas bochechas fofinhas e rosadas e começo o meu dia a olhar para aquele gigantesco sorriso. Ele desvia o meu cabelo da cara e tenta abrir-me as pálpebras dos olhos - "acorda mamã, levanta, vamos para a sala que o Afonso quer brincar"- diz ele. E eu sigo, puxada pela mãozinha dele, alguns passos fora da cama e ele pede-me o - "colinho mamã". É tanta alegria neste simples pedacinho da manhã.
No decorrer do dia ele é quase a minha sombra e nunca estou só e com ele há sempre muito para fazer, numa "to-do list" quase interminável "o Afonso quer fazer" , "o Afonso quer ver", mas a mais típica é "o Afonso quer ajudar" e sim, ele fala na terceira pessoa quando se refere a si, ainda está aprendendo e confesso que pouco o corrijo por achar mesmo muito engraçado.
Se o meu filho fosse meu cliente, seria o mais exigente de todos, se cada birra que faz fosse uma reclamação não haveria estabelecimento aberto. Usa e abusa do " não é esse", "não quero isso", mas também do "obrigado", "por favor" e quando tem aquilo o que quer também usa o "muito obrigado" o "é isso mesmo!" e o mais recente "muito bem, incrível", mas é um ser muito impaciente...tudo corre bem se ele for atendido de imediato, mas como isso não acontece vem a birra, aquela reclamação vergonhosa em público, que admito que hoje pouco me envergonha. Prefiro que ele grite, chore, se estenda no chão a bater com as pernas, desde que não se magoe, e aprenda que o mundo onde ele vive agora é muito lindo, mas não é perfeito e ninguém o é e está tudo bem. A birra é temporária, mas faz cada espectáculo memorável a quem o assiste. Acho que todas as funcionárias dos supermercados que frequentamos já o conhecem e não fosse ele tão lindo que todas o adoram. Ele é o menino que só larga aquele pacote de bolachas para entregar em mãos à senhora do caixa e se ela demora a devolver ele grita, mas logo se seguida olha para mim e diz "não grita, não é mamã" enquanto elas aflitas e atrapalhadas devolvem-lhe as bolachas nas mãos. O sentimento de frustração nas crianças não é mudo, faz-se notar, é barulhento, mas está presente nas nossas vidas desde que nascemos, desde aquele primeiro "não". Todos temos de a sentir e todos temos de aprender a lidar com ela, uns mais barulhentos que outros.
Mas todos os dias ele enche-me de orgulho e o que eu acho mesmo incrível é ele ver-me muito sossegada e dizer-me "a mamã está triste" e logo de seguida dizer-me "mamã olha o Afonso está feliz, a mamã está feliz" e ele tem toda a razão, estou feliz quando ele está feliz e bem. Fico muito impressionada com a velocidade a que ele aprende e já me agarro ao álbum de fotografias em que ele tinha apenas 2.300kg e não me pesava ao colo.
O meu filho tem 33 meses e daqui a 3 meses faz 3 anos, pesa 20kg e canta, fala e quase nunca se cala. Ainda tenho noites com poucas horas de sono, tem dias em que ainda consigo cozinhar e manter a casa limpa e mais ou menos organizada por umas horas, mas já percebi que a minha vida e a nossa casa só parece bem quando há essa vida, esse desarrumo. Ele é a necessidade que me motiva e alegra a arrumar e a organizar a nossa casa e a minha vida. Vou sempre reclamar ,parece-me que nisto o puto sai a mim, mas a vida é assim.
Aprendendo a ser mãe...com o meu filho, o meu lindo malcriado e muito amado Afonso