Como te descrevo? És simpático, divertido, brincalhão, atrevido, sonhador, alegre, chato, antipático, anti-social, mentiroso, etc. Possíveis descrições de alguém, ou melhor, descrições gerais de qualquer pessoa. Injustas descrições, estas e muitas outras, que satisfazem alguma curiosidade e dão um ponto final ao trilho iniciado com a questão do saber, do querer conhecer. Há falta de curiosos e de espírito crítico!! É impossível descrever alguém pelo seu ser, simplesmente compartilhamos estados e situações que conduzem a simples adjetivos que servem como tentativa falhada para nos descrever. Cheguei à conclusão de que sou insana, pois vejo o meu reflexo em todas as descrições possíveis e impossíveis através dos meus estados, através da minha disposição, através do mundo que me impulsiona para o seu lado que arde, descontroladamente, e me reduz em chamas na realidade. Evoluímos de dia para dia e sabemos mais hoje do que ontem e amanhã seremos um prodígio. Viva às experiências, às quedas, às mentiras que nos conduziram à verdade e nos colocaram no topo onde vemos na totalidade e não apenas uma parte. Atrevo-te a descreveres-te, faz uma retrospecção não a deixes solta na tua mente, mantêm-na viva no papel, escreve sobre ti próprio se és capaz, mas podes deixar de fora todos os floreados, sente-te em cada palavra em cada adjetivo e verás que não há ninguém melhor que ninguém. Aquela sms que mandaste à tua amiga a dizer que não podias ir, mas que afinal não foste porque não te apeteceu, é uma mentira. Aquela piada inesperada que soltaste e gerou várias gargalhadas, foste tu divertido. Aquela discussão que tiveste com o teu melhor amigo em que foste para casa e não quiseste ver ninguém e te isolaste, de certo que foste chato e anti-social. E na janela do chat da pessoa que tu gostas deixas uma música que denuncia o teu interesse e expressam palavras que pessoalmente nunca te atreverias a pronunciar. Momentos, estes e muitos mais, compõem-nos como uma melodia sem fim onde passamos do baixo à guitarra, do saxofone ao piano e da bateria à voz. Certos de tão pouco sacrificamos e perdemos, caminhamos para onde a incerteza cresce e multiplica os estados que interferem no raciocínio e influenciam o comportamento. Sintomas sincronizados e a conclusão é uma só: somos insanos, mas muitos não tem consciência disso.
terça-feira, 20 de maio de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Censurado
A dicotomia entre o moral e o imoral correto e incorreto não passam de uma ilusão, uma forma de controle de comportamentos que reprime a liberdade de pensamento a imaginação e a criatividade. Uma sociedade para funcionar necessita de regras e para tal, cada indivíduo deverá cumpri-las para uma necessidade de bem comum. Mas o individuo ,o SER Humano, na sua forma mais pura de ser, é completamente formado por sensações, sentimentos, desejos. Somos estímulos ambulantes camuflados no meio da sociedade. É imprescindível o bem individual para haver um melhor desempenho no bem comum. Todos queremos ser como Apolo, aquele ser perfeito, responsável e consciente dos seus atos. No entanto, é impossível calar o Dionísio que grita pela sua liberdade. É urgente despirmos qualquer preocupação moral e voltar às origens, voltar a encarnar o papel de Adão e Eva, mas não aceitar nem comer a maçã que nos conduziu a todos a esta prisão ética. Envoltos na pureza e livres para provar o sabor da entrega sem nenhum pingo de preconceito. Sim, um paraíso onde a melhor roupa é a tua pele onde existe apenas um nível, um estado, um chão. Amar livremente, amar simplesmente sem compromisso ou obrigação moral, e em toda esta liberdade a mentira e a traição não fariam sentido muito menos existiriam, porque o que é a traição o que é a mentira, num mundo puro? O sexo é uma necessidade para todo e qualquer criatura, inclusive o ser humano. É um prazer tão necessário como comer quando se tem fome. Aprendemos, desde crianças, a saciar o prazer e a necessidade, a partir da satisfação na amamentação para ingerir alimento e mais tarde deixamos de precisar de fraldas, pois aprendemos a controlar as fezes. Mas a moral marginalizou de tal forma o sexo que lhe retirou a dignidade e o fechou em tabus. Afinal o que é o sexo senão uma partilha intensa e profunda de amor? E o que é o amor senão a felicidade? E o que é um orgasmo senão o limite? A ética é frígida e é imoral julgar sem conhecer.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Cancro, a doença do século XXI
Esta enfermidade que se divide e propaga por todas as partes do corpo, sem conhecer limites nem regras, acompanha a genealogia da humanidade. Apesar da sua identificação parecer muito recente, o facto é que tem vindo a acentuar-se no seio de nossas famílias desde o início da industrialização. Firmes, erectos e despertos marchamos para a glória, para a batalha de cada dia, para a gloriosa vitória que nossos pés ditam e nossas acções prescrevem . Entre trincheiras lutamos, ultrapassamos fronteiras e conquistamos. Temos terras, temos ruas, temos bens, teremos tudo? A morte a todos espera, mas que morte ingrata esta que não alerta, deixa-nos sem voz, arranca nossa liberdade, acorrenta e debocha. Qualquer fragmento de veneração é substituída pelo sentimento de pena, pela condenação mais que certa. Perdeu-se a esperança, perdeu-se o brilho das estrelas, mede-se o tempo pela ampulheta, que começou a contar. Cada grão de areia, cada segundo precioso cada suspiro contado. Visitas constantes ou não, vontades que não faltaram, palavras não pronunciadas, lágrimas escondidas, um sorriso arrancado das profundezas do ser, de braços abertos e de mãos dadas a quem era e deixou de ser. Ingrata não a morte, mas a doença esta que não tem cura, que destrói um pedaço a cada dia. Deixou de ter gosto, deixou de escolher, ganhou apetite compulsivo, ninguém está imune, ninguém está a salvo. Retira-te a dignidade, pouco há a fazer, nada há a fazer. Quando o muito é nada, todo o pouco basta e um pouco nunca é nada. Doença ingrata que deixa qualquer um estéril. Deixemos a doença caminhemos à vida, todo aquele que era deixou cá um ser, plantou algum saber, partilhou histórias e será desta forma que daremos continuação à sua luta, e por ele conquistaremos, por ele criaremos, por ele seremos.
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