quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Conclusão sofrida

E quando te dás por inteiro e não chegas?
Quando abdicas da tua vontade para veres sorrir quem amas e o seu sorriso é a recompensa que te deixa feliz. 
Quando lhe mimas e fazes-lhe todas as vontades, porque não lhe resistes. 
Quando lhe dás liberdade e incentivas para ele conquistar o mundo, porque ele merece o Universo.
Em que cada toque ou conversa dele te hipnotiza e desculpa qualquer confusão. Porque ele é mágico é um ser maravilhoso que só ele não consegue ver. 
Quando já não sabes o que mais inventar para lhe mostrar que o amas.
Ser faminta pela sua atenção, viciada no seu carinho, mendiga por uma conversa.
Tudo isto não significa nada, porque os seus olhos não brilham por ti.
Tudo isto não significa nada, porque o seu sorriso não é constante contigo.
Tudo isto não significa nada, quando sentes que ele é feliz em todo o lado e não contigo.
Todo este amor não vale nada, quando tu não amas comigo.
Saber o que é amar, quando o amor é coisa que não existe...    

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Nostalgia da Infância

Quando eu era pequenina tudo parecia ser maior do que eu. Descia as escadas a correr e deslizava, sem skate, de meias no chão ou até descalça e caía. 
Quando eu era pequenina caía tanto trambolhão, chorava, mas a seguir me ria. Tudo era uma brincadeira, dentro ou fora de casa, tudo o que eu queria era brincar. Não escolhia roupas, não me penteava e usava a maquilhagem da minha mãe apenas pelo Carnaval e Halloween. Eu dava tanto trabalho à minha mãe, mas ela adorava e hoje tenho certeza de que sente saudade. O meu Pai sempre foi o meu herói, nele eu via representado todos os heróis de qualquer história e eu sempre a protagonista de todos os desenhos animados. Ainda sei algumas das musicas dos filmes da Disney e ainda choro ao ver o Rei Leão. Quando eu era pequenina não gostava muito de bonecas nem de "barbies" adorava os brinquedos do meu irmão, a pista de carros telecomandados era muito mais divertida do que passar uma tarde a pentear os cabelos de uma boneca. Sempre gostei de pintar e mais tarde de fazer histórias. Adorava quando minha mãe lia um conto à noite antes de irmos dormir e até quando rezávamos juntos para adormecermos. Quando eu era pequenina eu rezava e cantava muito. Acreditava em tudo o que me diziam e não questionava nada. Quando eu era pequenina eu gostava de aventuras e saí de casa para explorar os arredores sem avisar a minha mãe e ela ia morrendo de preocupação. O dia nunca era suficientemente grande para fazer tudo o que eu queria. Um brinquedo em cada ida às compras, uma birra em cada loja para comprar roupa nova. Como as coisas mudam.
Cada Natal era mágico! Acreditava no Pai Natal (claro que era o meu pai) escrevia uma carta e fazia prendas de papel na escola para oferecer aos meus pais. A tradição sempre foi a ida à missa do galo e as prendas, mas na noite anterior minha mãe enchia meu cabelo de tranças bem pequeninas para desfazê-las no dia a seguir e ficar com o cabelo frisado, pronta e feliz para a missa com a roupa feita à medida na costureira. Minha mãe sempre foi tão linda e eu sempre lhe dei tanto trabalho. Recebi os patins e meu irmão uma bicicleta, mas parece-me que naquela altura o inverno era mais frio, mas nós tão felizes. Fotografias que marcam e não deixam esquecer. Há tradições que continuam e caminhos que devemos percorrer sempre com quem nos carregou nos braços, segurou pela mão nos primeiros passos e continua ao nosso lado sempre com os braços abertos para qualquer reconforto. Quando eu era pequenina eu era uma princesa num castelo gigante, mas eu não sabia. 
Já não sou pequenina, mas continuo a princesa do meu castelo.  

domingo, 1 de novembro de 2015

Lado Lunar

Lua cheia de fases,  apresentas tantas mas eu só vejo uma. Vejo-te como um todo solitária.  Há noites em que te procuro, porque sinto que só tu me entendes. Sou como o sol, porque ilumino sem lá estar, mas como invejo as estrelas por te terem como constante companhia. Sinto-te só, apesar de sempre acompanhada, ou será apenas o meu forte desejo de navegar para junto de ti? Acho que sou mais sensível na tua presença, para mim o mundo pára quando te olho. Será que me olhas de volta?! Só sei que qualquer momento banal na tua presença se torna especial. Já faz tempo que não te vejo,  mas não deixei de te procurar. Presenteia-me com uma das tuas fases,  afasta essas nuvens que te cobrem no negrume da noite,  pois o céu fica particularmente mágico quando tu te mostras presente.