terça-feira, 20 de maio de 2014

Como é que ele é?





Como te descrevo? És simpático, divertido, brincalhão, atrevido, sonhador, alegre, chato, antipático, anti-social, mentiroso, etc. Possíveis descrições de alguém, ou melhor, descrições gerais de qualquer pessoa. Injustas descrições, estas e muitas outras, que satisfazem alguma curiosidade e dão um ponto final ao trilho iniciado com a questão do saber, do querer conhecer. Há falta de curiosos e de espírito crítico!! É impossível descrever alguém pelo seu ser, simplesmente compartilhamos estados e situações que conduzem a simples adjetivos que servem como tentativa falhada para nos descrever. Cheguei à conclusão de que sou insana, pois vejo o meu reflexo em todas as descrições possíveis e impossíveis através dos meus estados, através da minha disposição, através do mundo que me impulsiona para o seu lado que arde, descontroladamente, e me reduz em chamas na realidade. Evoluímos de dia para dia e sabemos mais hoje do que ontem e amanhã seremos um prodígio. Viva às experiências, às quedas, às mentiras que nos conduziram à verdade e nos colocaram no topo onde vemos na totalidade e não apenas uma parte. Atrevo-te a descreveres-te, faz uma retrospecção não a deixes solta na tua mente, mantêm-na viva no papel, escreve sobre ti próprio se és capaz, mas podes deixar de fora todos os floreados, sente-te em cada palavra em cada adjetivo e verás que não há ninguém melhor que ninguém. Aquela sms que mandaste à tua amiga a dizer que não podias ir, mas que afinal não foste porque não te apeteceu, é uma mentira. Aquela piada inesperada que soltaste e gerou várias gargalhadas, foste tu divertido. Aquela discussão que tiveste com o teu melhor amigo em que foste para casa e não quiseste ver ninguém e te isolaste, de certo que foste chato e anti-social. E na janela do chat da pessoa que tu gostas deixas uma música que denuncia o teu interesse e expressam palavras que pessoalmente nunca te atreverias a pronunciar. Momentos, estes e muitos mais, compõem-nos como uma melodia sem fim onde passamos do baixo à guitarra, do saxofone ao piano e da bateria à voz. Certos de tão pouco sacrificamos e perdemos, caminhamos para onde a incerteza cresce e multiplica os estados que interferem no raciocínio e influenciam o comportamento. Sintomas sincronizados e a conclusão é uma só: somos insanos, mas muitos não tem consciência disso.  

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