Afastada da minha rotina habitual, já há algum tempo, vejo-me focada em mim, na minha natureza, nos meus pensamentos crenças e valores. Encontro-me no silêncio da sociedade onde as suas regras não têm jurisdição. Despi o meu papel de ator social e aqui estou eu e apenas eu. Comecei por tentar compreender-me e deixar de tentar compreender os outros. Não importa o que quero, mas sim como trabalhar com aquilo o que o universo planta na minha vida. Vivo num jardim e penso muito mais do que digo. Para quem pensa que me conhece engana-se, sou muito mais do que uma imagem e queria dizer tudo o que penso, mas há pensamentos inexplicáveis e que apenas fazem sentido na minha mente. Há coisas das quais não devemos ter conhecimento. A busca incessante pelos "porquês" da vida é uma perca de tempo. "Porque mudaste?", "porque aconteceu aquela desgraça?", "porque isso me está a acontecer?", "porque te conheci?", "porquê a mim?"... Já basta o facto de acontecer. Somos muito apegados aos acontecimentos do passado e tendemos a procurar uma razão. Não há razão e mesmo que houvesse, sabê-la não iria mudar os factos. Não quero saber o porquê. Quero avançar, seguir em frente, porque o tempo é o balão de oxigénio que um dia vai esvaziar. Por isso quero sentir o que tiver de sentir, fazer o que tiver de fazer, agir e reagir. A vida é um momento que não é avaliado por análise. Não há a escolha certa nem a errada há apenas escolhas, umas que nos correm bem e outras que nem por isso. Aprender a viver vivendo. A minha vida é um estado de espírito com o presente, consciência do passado e sonho no futuro.
Na sociedade tenho de ter para me manter. No meu jardim nada me pertence nem sou de ninguém e mesmo assim estou cheia de tudo porque eu sou minha e isso me preenche. E o que somos nessa vida senão um ser?!... O que deixamos nessa vida e o que levamos?! Ficam as histórias do que fizemos e levamos connosco tudo o que sentimos. Só isso importa.
Eu encontrei-me. Vejo o mundo de um ângulo onde eu pertenço. Meu coração palpita e quase pula do peito de tanto sentir. Não sei o que fazer, mas vou fazê-lo sem razões nem porquês. Sou feliz na minha inconstância, nem preciso explicar, vou apenas ser.
Encontra-te e vive!
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
A vida é um jardim
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