sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Nostalgia da Infância

Quando eu era pequenina tudo parecia ser maior do que eu. Descia as escadas a correr e deslizava, sem skate, de meias no chão ou até descalça e caía. 
Quando eu era pequenina caía tanto trambolhão, chorava, mas a seguir me ria. Tudo era uma brincadeira, dentro ou fora de casa, tudo o que eu queria era brincar. Não escolhia roupas, não me penteava e usava a maquilhagem da minha mãe apenas pelo Carnaval e Halloween. Eu dava tanto trabalho à minha mãe, mas ela adorava e hoje tenho certeza de que sente saudade. O meu Pai sempre foi o meu herói, nele eu via representado todos os heróis de qualquer história e eu sempre a protagonista de todos os desenhos animados. Ainda sei algumas das musicas dos filmes da Disney e ainda choro ao ver o Rei Leão. Quando eu era pequenina não gostava muito de bonecas nem de "barbies" adorava os brinquedos do meu irmão, a pista de carros telecomandados era muito mais divertida do que passar uma tarde a pentear os cabelos de uma boneca. Sempre gostei de pintar e mais tarde de fazer histórias. Adorava quando minha mãe lia um conto à noite antes de irmos dormir e até quando rezávamos juntos para adormecermos. Quando eu era pequenina eu rezava e cantava muito. Acreditava em tudo o que me diziam e não questionava nada. Quando eu era pequenina eu gostava de aventuras e saí de casa para explorar os arredores sem avisar a minha mãe e ela ia morrendo de preocupação. O dia nunca era suficientemente grande para fazer tudo o que eu queria. Um brinquedo em cada ida às compras, uma birra em cada loja para comprar roupa nova. Como as coisas mudam.
Cada Natal era mágico! Acreditava no Pai Natal (claro que era o meu pai) escrevia uma carta e fazia prendas de papel na escola para oferecer aos meus pais. A tradição sempre foi a ida à missa do galo e as prendas, mas na noite anterior minha mãe enchia meu cabelo de tranças bem pequeninas para desfazê-las no dia a seguir e ficar com o cabelo frisado, pronta e feliz para a missa com a roupa feita à medida na costureira. Minha mãe sempre foi tão linda e eu sempre lhe dei tanto trabalho. Recebi os patins e meu irmão uma bicicleta, mas parece-me que naquela altura o inverno era mais frio, mas nós tão felizes. Fotografias que marcam e não deixam esquecer. Há tradições que continuam e caminhos que devemos percorrer sempre com quem nos carregou nos braços, segurou pela mão nos primeiros passos e continua ao nosso lado sempre com os braços abertos para qualquer reconforto. Quando eu era pequenina eu era uma princesa num castelo gigante, mas eu não sabia. 
Já não sou pequenina, mas continuo a princesa do meu castelo.  

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