quarta-feira, 22 de julho de 2015

O velório






Sentada no silêncio da solidão inspiro e expiro para sobreviver, com os olhos abertos, mas sem nada ver. Tenho a esperança ligada às máquinas. Sem perspectivas nem projectos, qual futuro?!
Deixei de lutar, deixei de acreditar, agora vivo adormecida, onde me encontro neste mundo de ilusões, nestes sonhos demorados onde encontro a minha doce utopia que me abandona sem se despedir sempre que eu acordo. Houve um corte de energia, não tenho gerador, a máquina desligou-se enquanto eu dormia e a esperança se foi.
 Adeus esperança, embora eu te forçasse a estadia sei que já cá não estavas antes de partires. Eu só queria ter-te por perto, sentir-te presente sempre que me surgia um obstáculo. Só tu esperança me davas coragem, agora eu sem ti faz de mim o quê?! 
Volta esperança, preciso de ti. Quero uma tempestade com trovões para que sejas atingida por um relâmpago e voltes a ter vida. Que estas lágrimas, que ninguém vê, sejam sentidas, porque não passo de um corpo a apodrecer. Vem devolver a minha alma, vem devolver a minha vida.
Descansa em Paz, mas depois vem ter comigo. 

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