Existem noites estranhas e para um bom observador nada do que se passa fica sem registo. Quem pode julgar um artista que transforma a sua arte em produto consumível para as massas? Em tempos de crise há que recorrer ao engenho e ser criativo, mas a sua arte não perderá valor? Quem pode criticar um cantor de rock quando este é pago para cantar musica pimba?! Se a sua voz é um camaleão melhor ainda, tem mais portas abertas. A vida mostra que o trabalho e o lazer não podem ser indissociáveis. São demais as vezes em que na vida fazemos aquilo o que não gostamos. Nestas horas temos de aprender a sorrir. Colocamos toda a esperança na juventude, mas não nos podemos esquecer dos mais velhos, estes são os pilares que sustentam a esperança da juventude. Tal como os jovens, os mais velhos também aprendem e evoluem, mas estes tem a grande vantagem a da experiência e credibilidade quase que instantânea que os mais novos não herdam tão facilmente. Há que apostar nos mais velhos, são eles a fonte de alimentação cultural, são eles que impulsionam as revoluções, são eles que guiam os mais novos e lhes mostram infinidades de caminhos e escolhas.
Em qualquer noite banal desviamos o olhar de tudo o que não precisamos. Realmente só vemos o que precisamos, o que queremos e quando a necessidade é muita até um quiosque ambulante de cachorros e hamburgers se tornam as coisas mais importantes do mundo. É especialmente em noites de festa e às tantas da madrugada que começa esta busca. Todas os vendedores já sabem as horas de maior movimento. Quantas vezes passamos por eles, mas não os vemos. Quem de nós se recorda das suas caras ou alguma vez deixou gorjeta?! Preparam-nos a comida a um preço muito mais reduzido embora muito mais bem servidos e o contacto é mínimo "O que é que vai ser?" dizem eles e nós ficamos a olhar, muitas vezes a reclamar da fumaça dos grelhados ou fritos e finalmente pagamos e andamos. "Quem é que está a seguir?" Aposto que eles preferiam estar no lugar de clientes. Mas o cliente gasta e o vendedor ganha, acho que está justo. Há que reconhecer um bom serviço por isso estou ponderando em deixar-lhes gorjeta. Ainda me lembro em alturas de festas o quanto feliz eu me sentia quando os meus avós me davam os "troquinhos" para um gelado e quantos gelados valiam aquelas moedinhas. É preciso relembrar como é bom receber para tomar o gosto de como é bom o sabor do dar. Bem e é neste espírito de início de festas tradicionais, regionais, religiosas e até festas pagãs que escrevo. Que o positivismo de uma música te faça cantar, que o batuque da próxima música faça dançar os teus avós, os teus pais, os teus primos e que depois de cansado te sentes a observar a noite e termines num quiosque a comer e a dar uma gorjeta.
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