Esta enfermidade que se divide e propaga por todas as partes do corpo, sem conhecer limites nem regras, acompanha a genealogia da humanidade. Apesar da sua identificação parecer muito recente, o facto é que tem vindo a acentuar-se no seio de nossas famílias desde o início da industrialização. Firmes, erectos e despertos marchamos para a glória, para a batalha de cada dia, para a gloriosa vitória que nossos pés ditam e nossas acções prescrevem . Entre trincheiras lutamos, ultrapassamos fronteiras e conquistamos. Temos terras, temos ruas, temos bens, teremos tudo? A morte a todos espera, mas que morte ingrata esta que não alerta, deixa-nos sem voz, arranca nossa liberdade, acorrenta e debocha. Qualquer fragmento de veneração é substituída pelo sentimento de pena, pela condenação mais que certa. Perdeu-se a esperança, perdeu-se o brilho das estrelas, mede-se o tempo pela ampulheta, que começou a contar. Cada grão de areia, cada segundo precioso cada suspiro contado. Visitas constantes ou não, vontades que não faltaram, palavras não pronunciadas, lágrimas escondidas, um sorriso arrancado das profundezas do ser, de braços abertos e de mãos dadas a quem era e deixou de ser. Ingrata não a morte, mas a doença esta que não tem cura, que destrói um pedaço a cada dia. Deixou de ter gosto, deixou de escolher, ganhou apetite compulsivo, ninguém está imune, ninguém está a salvo. Retira-te a dignidade, pouco há a fazer, nada há a fazer. Quando o muito é nada, todo o pouco basta e um pouco nunca é nada. Doença ingrata que deixa qualquer um estéril. Deixemos a doença caminhemos à vida, todo aquele que era deixou cá um ser, plantou algum saber, partilhou histórias e será desta forma que daremos continuação à sua luta, e por ele conquistaremos, por ele criaremos, por ele seremos.

Para morrer basta estar vivo, essa infelizmente é a certeza absoluta da nossa existência.
ResponderEliminarA morte é coisa certa, mas existem formas e formas de morrer como também existem determinadas idades para esse momento de fatalidade. Verifica-se que própria morte deixa a vida a muitos prematura. Existe muito pré-sofrimento e também muita morte inesperada. Deixa muita vida por viver.
ResponderEliminarA maior batalha dos humanos, reside no combate á morte, tentando estender a vida o mais longe possível! O Cancro, tem sido a mais dura batalha dos nossos dias, indubitavelmente!!! O maior desafio da Ciência contemporânea, deve ser sem duvida o Combate a essa doença, que aflige direta ou indiretamente todas as famílias. Esse texto, permite uma reflexão multidisciplinar e profunda dessa experiência de conviver com a doença. Digno de ser lido e relido. Bem Hajas
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