segunda-feira, 9 de dezembro de 2013



Uma sensação estranha na cabeça, parece uma bola pequenina, mas móvel, que escorre até à testa, mas afinal não foi para a testa, contornou-me a sobrancelha e escorregou para a bochecha, a bola é fresca mas não é dura, tenho as mãos atadas, tento decifrar esta coisa que me percorre. Ela torna-se menos fresca até que me cai no lábio, tento não saborear, mantenho a boca fechada, espreito mas só vejo o meu nariz, de repente a bola rola até ao meu queixo e faz me umas cocegas, tento arranhar mas não consigo, minhas mãos continuam presas e a duvida cresce. Até que cai sobre o meu joelho e desaparece... Um mundo de sensações sem exploração, sempre com amarras e cativeiros assim viveu a mulher. Penso que o melhor foram mesmo as amarras que nos fez ver por outro ângulo, acentuou nossas diferenças e tornou-nos tão preparadas para o mundo! Raramente apanhadas desprevenidas e sempre com sentidos apurados. Afinal era apenas uma gota de água...

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